Adolescente pede desculpas para professora em anúncio no PR

O pai de um aluno de uma escola de Londrina (380 km de Curitiba) publicou um anúncio em um jornal da cidade com um pedido de desculpas do filho para uma professora.

O jovem, que tem 16 anos e está no 3º ano do ensino médio de um colégio estadual, havia ofendido sua professora de artes e dito que pretendia “atear fogo” nela em um texto publicado no Facebook, em meio a reclamações sobre um pedido de lição de casa.

A mensagem foi publicada na semana passada e lida por vários alunos e pela professora. O pai e o aluno foram chamados pela direção da escola para comentar o conteúdo.

“Os dois pediram desculpas e nós aceitamos, mas o pai, achando que isso não era suficiente, resolveu publicar o anúncio”, disse a diretora da escola, Jéssica Pieri, 42. A mensagem no Facebook foi excluída logo depois da reunião.

O anúncio foi publicado por três dias consecutivos, entre domingo (25) e terça-feira (27), no caderno de classificados do “Jornal de Londrina”.

Nele o aluno diz que quer se retratar com a professora de artes Rosana Marques Franco, do colégio estadual Barão do Rio Branco. “Foi um momento impensado. Gostaria que a professora me perdoasse e que meu ato não seja repetido por outros alunos”, diz um trecho do anúncio.

A professora disse que, ao ler a mensagem no Facebook, teve medo. “Não me senti ameaçada, mas é claro que a gente fica com medo, lembra do Realengo, essas coisas. Mas tudo foi resolvido. Vi que foi um desabafo infeliz. O pedido de desculpas do aluno e a atitude do pai foram muito bonitas”, disse Franco.

Segundo ela, o aluno envolvido no caso é dedicado. “Alguns pais não veem problema na atitude dos filhos e algumas escolas não ligam muito para situações como essas, mas não foi o que aconteceu aqui”, disse Franco, que leciona há 20 anos.

Segundo a diretora, o aluno não foi suspenso e não foram tomadas outras medidas disciplinares contra ele.

“Não achamos que ele fosse cometer alguma violência. É um aluno dedicado e tem um perfil calmo. Ele entendeu que a palavra dita é uma coisa, e a escrita, para quem não o conhece, pode parecer mais grave. E nós reconhecemos que ele usou uma expressão infeliz”, disse Pieri.

A diretora afirma que o aluno ainda não compareceu às aulas nesta semana. Segundo ela, os pais querem esperar “a poeira baixar” e foram com o filho para um sítio próximo a Londrina.

Em um telejornal local, o pai, que pediu para não ser identificado, disse que queria que todos na escola e na comunidade soubessem que seu filho estava arrependido.

“A gente fica surpreso, né? É lógico que uma frase dessas na internet pode vir a intimidar. Uma palavra escrita ou dita é lançada e aí não tem retorno. Pode machucar às vezes mais que do que alguma agressão física”, disse o pai do aluno, que afirmou ainda que obrigou o filho a excluir a conta na rede social.

Fonte: Da Folha.com

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