Aécio domina documentário sobre história de Tancredo Neves

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), pré-candidato ao Planalto em 2014, é o centro das atenções do documentário que contará a trajetória política do presidente Tancredo Neves (1910-1985).

Ele ocupa quase seis minutos de “Tancredo, a travessia”, dirigido pelo cineasta Silvio Tendler. A Folha assistiu à edição final do filme, que terá pré-estreias em quatro cidades na semana que vem –o tucano confirmou presença em todas as exibições.

Filme sobre Tancredo corta cena de doações de Maluf
Filme ‘Tancredo’ é emocionante aula de história e política

Reprodução
Tancredo Neves e o neto Aécio Neves, em fotografia dos anos 80 exibida no documentário
Tancredo Neves e o neto Aécio Neves, em fotografia dos anos 80 exibida no documentário

Aécio era secretário particular do avô e tinha 25 anos quando ele morreu, sem conseguir tomar posse.

Mesmo assim, aparece mais que políticos já influentes na época, como os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e José Sarney, que assumiu em seu lugar.

O senador é recordista de participações ao longo do filme: são 13 inserções com fala, fora as cenas em que surge em segundo plano ou em fotografias em preto e branco abraçado ao avô.

Numa passagem, o tucano é convidado a analisar a derrota de Tancredo para Magalhães Pinto na disputa pelo governo de Minas Gerais, em 1960. Aécio era um bebê de sete meses quando a eleição foi realizada.

O documentário infla o papel de Tancredo em alguns momentos da história, como a crise que sucedeu à renúncia do presidente Jânio Quadros, em agosto de 1961.

O mineiro é apresentado como o negociador que “impediu a guerra civil” e garantiu a posse do vice João Goulart, com poderes reduzidos.

A narrativa ignora a resistência organizada pelo então governador gaúcho Leonel Brizola, apontado na maioria dos livros como o verdadeiro responsável por evitar um golpe militar que impediria a posse de Goulart.

No episódio do suicídio do presidente Getúlio Vargas, em 1954, Tendler escalou atores para encenar sua última reunião no Palácio do Catete. Tancredo, ministro da Justiça, sobressai ao enquadrar os ministros militares e conclamar os colegas a “morrer em defesa de uma causa justa”.

Os melhores momentos do filme são as imagens de arquivo, incluindo as cenas emocionantes da votação da emenda das Diretas e do adeus popular ao presidente que foi sem nunca ter sido.

Tendler foi localizado ontem à noite, mas disse que estava embarcando em um voo e não poderia falar. Em outra ocasião, ele disse que Aécio não interferiu no filme.

Produtor do documentário, o jornalista Roberto D’Ávila afirmou que Aécio é o herdeiro político de Tancredo e que sua participação é “mais emocional do que política”.

“A família autorizou, mas não teve interferência nenhuma na produção. Não é um filme chapa-branca”, disse.

Com a Folha.com

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