‘Ajuste moderado’ nos juros ainda é compatível com inflação, diz BC

A menos de duas semanas da próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, o presidente da instituição, Alexandre Tombini, afirmou, duas vezes em um mesmo discurso, que há espaço para “ajustes moderados” na taxa básica de juros.

A sinalização de novo corte na taxa básica da mesma intensidade no próximo dia 19 se dá em um momento em que o mercado financeiro está divido entre um novo corte de 0,5 ponto percentual nos juros ou uma queda mais acentuada.

No final de agosto, o BC reduziu a taxa básica para 12% ao ano, depois de aumentar os juros em quase dois pontos percentuais.

Nas últimas semanas, indicadores de atividade mostraram desaceleração, especialmente na indústria. Por outro lado, índices de inflação voltaram a subir, a alta do dólar está sendo repassada para os preços e se discute nova rodada de reajustes salariais.

“Nas atuais condições, ajustes moderados da taxa de juros são consistentes com a convergência da inflação para o centro da meta em dezembro de 2012”, disse Tombini.

Ele destacou que esse é o mesmo diagnóstico para o cenário econômico feito no final de agosto.

Segundo Tombini, o aumento dos juros no primeiro semestre ainda será sentido na economia brasileira. Por isso, a instituição mantém a previsão de crescimento “em torno de 3,5%” para o país neste ano.

DÓLAR

Tombini afirmou ainda que a situação da economia mundial ainda é “bastante delicada” e que espera “crescimento baixo por tempo prolongado”.

“Enquanto não se encontra a solução definitiva, maior a probabilidade de que ocorram acidentes de percurso. Estamos vivendo um pouco disso. Tem semanas melhores, tem semanas piores. A depender dos humores dos mercados”, afirmou.

No Brasil, os efeitos da crise foram sentidos especialmente no dólar, segundo o presidente do BC. Por isso, a instituição está pronta para atuar em qualquer segmento de câmbio que “funcione de forma inadequada”.

“Onde problemas forem identificados, que fujam desse movimento internacional do dólar, estamos preparados, como já fizemos, para assegurar a normalidade dos mercados de câmbio.”

Até agora, a instituição interveio apenas no mercado de contratos de câmbio, que respondem por quase 85% dos negócios com dólar no país. O BC não descarta ainda vender dólares das reservas, se necessário. Ou voltar a comprar moeda, quando “as condições de mercado permitirem”.

Com a Folha.com

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