Aos 14 anos, carioca busca experiência no Pan

Era para ser apenas uma colônia de férias para divertir a família no Rio. O bombeiro Marcos Mendes e a professora Vânia Lúcia aproveitaram a proximidade do apartamento onde moram com o Maracanã e levaram a filha, Andressa, então com seis anos, para brincar na piscina do Parque Aquático Júlio Delamare.

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Pequena e magra, a garota logo chamou a atenção de Ana Paula Shalders, técnica de saltos ornamentais. Andressa, porém, não sabia nadar. Precisou de “macarrão”, cinto de hidroginástica e outras boias amarradas ao corpo para saltar.

  Paula Giolito/Folhapress  
A carioca Andressa Mendes, 14, salta durante um treinamento
A carioca Andressa Mendes, 14, salta durante um treinamento

“Era muito tenso”, lembra a hoje atleta Andressa Mendes, 14, caçula da delegação brasileira no Pan de Guadalajara, que começa dia 14. A equipe do Brasil deve ser apresentada oficialmente no início desta semana.

No México, a carioca vai competir nas provas de trampolim de 3 m sincronizado (duplas) e plataforma de 10 m (solo e sincronizado). Andressa aprendeu a nadar cerca de um ano depois de iniciar os treinamentos na Apoe (Associação Peneira Olímpica de Esportes), na piscina ao lado do Maracanã.

O receio da família ao ver a filha que hoje tem 36 kg e 1,43 m saltando de uma altura de dez metros, porém, não pesou no momento de investir no futuro esportivo dela.

“Mesmo sendo bombeiro, me assustei quando subi na plataforma de 10 m e saltei com ela. Fui em pé. E gela, gela tudo”, conta o pai, 1º sargento dos bombeiros do Rio no mesmo quartel onde houve invasão e manifestação por melhores salários em junho.

  Paula Giolito/Folhapress  
A saltadora Andressa Mendes, 14, caçula do Brasil no Pan do México
A saltadora Andressa Mendes, caçula do Brasil no Pan do México

Sem patrocínio e sem bolsa-atleta, foram os rendimentos dos pais que asseguraram a evolução da saltadora. “A questão financeira é delicada”, conta Marcos. O plano de saúde, ele conseguiu com ajuda do Corpo de Bombeiros, e o colégio particular (Batista) veio graças a uma bolsa e à ajuda de membros da igreja que frequentam.

“Precisamos de patrocínio para ela ter alimentação, fisioterapia e preparação física boas”, conclui o pai. A associação pela qual Andressa compete banca viagens, uniformes e treinos, hoje comandados pelo cubano Alexander Ferrer.

Criada em 2002 por Rosane Trindade, a Apoe não tem patrocinadores. Mantém-se com ajuda da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, da qual Rosane é diretora. Segundo ela, 80% dos atletas da Apoe são de comunidades carentes do Rio.

As dificuldades financeiras e o desconhecimento dos pais não afastaram Andressa do esporte. E o retorno, ela afirma que já vai ter neste Pan. “Vou ganhar experiência mesmo”.

VAGA OLÍMPICA LEVA POTÊNCIAS AO EVENTO

Como os campeões no Pan asseguram vaga em Londres-2012, potências como EUA, Canadá e México escalaram seus melhores saltadores. As provas acontecem de 26 a 29 de outubro. No Rio–2007, o Brasil conquistou uma prata (Cesar Castro) e um bronze (Juliana Veloso).

Com a Folha.com

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