Após agência rebaixar bancos, países reforçam compromisso com a Grécia

França e Alemanha disseram nesta quarta-feira que estão “convencidos” de que o futuro da Grécia está na zona euro, após o primeiro-ministro grego, George Papandreou, manifestar sua “absoluta determinação” com os compromissos adotados em relação ao resgate financeiro de seu país, disse a Presidência francesa após a teleconferência entre os três líderes.

A conferência, agendada devido à forte volatilidade pela qual passam os mercados financeiros diante da possibilidade de quebra da Grécia, ajudou a trazer otimismo ao mercado nesta quarta-feira, disseram especialistas.

“O presidente da República e a chanceler estão convencidos de que o futuro da Grécia está na Zona Euro”, disse o governo da França em comunicado.

Ao mesmo tempo, Sarkozy e Merkel reiteraram à Grécia que se não for cumprido o rigoroso programa de cortes e privatizações que visam a redução do déficit e da dívida pública, o país não continuará recebendo os fundos de um primeiro plano de resgate acordado no ano passado pela União Europeia e pelo FMI (Fundo Monetário Internacional). Esse plano, de 110 bilhões de euros (R$ 260 bilhões), evitou a quebra de Atenas.

Segundo a nota francesa, “o primeiro ministro grego confirmou a absoluta determinação de seu governo em tomar todas as medidas necessárias para aplicar o conjunto das medidas previstas”.

Os dirigentes da União Europeia acordaram no dia 21 de julho um segundo plano de resgate à Grécia, de 159 bilhões de euros (R$ 377 bilhões). A aplicação desse plano, no entanto, depende da aprovação por parte dos governos e parlamentos dos membros da Zona Euro, integrada por 17 países.

“O presidente da República e a chanceler disseram que, mais do que nunca, é indispensável aplicar plenamente as decisões adotadas no dia 21 de julho pelos chefes de Estado e de governo da Zona Euro para assegurar a estabilidade da região”, disse a presidência francesa em um comunicado.

A Grécia espera pelo desembolso de 8 bilhões de euros (R$ 18 bilhões), correspondentes à sexta parte do primeiro plano de resgate.

“A aplicação dos compromissos do programa é indispensável para que a economia grega possa encontrar um crescimento sustentável e equilibrado”, afirmou a Presidência francesa.

NOTA REBAIXADA

Mais cedo nesta quarta-feira, a Moody’s rebaixou a nota de crédito dos bancos franceses Crédit Agricole e Société Générale, citando sua exposição à dívida da Grécia, em um novo revés para os líderes da zona do euro que tentam restaurar a confiança na região.

A agência de classificação de risco deixou o BNP Paribas em revisão para rebaixamento, dizendo que a lucratividade e a base de capital do banco são amortecedores adequados para sustentar sua exposição a Grécia, Portugal e Irlanda.

Os bancos europeus estão sob pressão há vários dias, em consequência da preocupação dos mercados com a capacidade de resistirem à crise da dívida grega.

A possibilidade de que a agência de classificação de risco Moody’s rebaixasse a nota das instituições financeiras aumentou as preocupações em relação à crise da zona do euro.

O BNP Paribas, o Crédit Agricole e o Société Générale foram colocados em perspectiva negativa em junho –normalmente, depois de três meses de um anúncio do tipo, a agência divulga a nova classificação.

O Société Générale tentou apaziguar o nervosismo dizendo que adotaria medidas para garantir sua solidez, como um plano de cortes visando liberar até 4 bilhões de euros até 2013. O banco ressaltou ainda que sua exposição à dívida estrangeira na Grécia, Irlanda, Itália, Portugal e Espanha está “baixa, declinando e é administrável”, totalizando 4,3 bilhões de euros (R$ 10,1 bilhões) no dia 9 deste mês.

DA FRANCE PRESSE, EM PARIS
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

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