Artigo: Abolição da Escravatura no Brasil


Por Solange Nascimento*

Hoje é o dia alusivo a Abolição da Escravatura no Brasil. Essa data sempre foi lembrada pelo ato da princesa Isabel de libertar os escravos. Sem, entretanto, se fazer qualquer referência à luta travada por séculos pela população negra para alcançar sua liberdade, mas a história contada por outras vozes, antes não ouvidas, nos levam a fazer algumas considerações sobre o tema. O Brasil foi o último país do ocidente a acabar com a escravidão, isso porque era pressionado pelo movimento abolicionista ( composto por negros e negras libertos e ainda escravizados) a romper com essa prática criminosa. Sofria também pressão de países da Europa que estavam em processo de industrialização, como a Inglaterra e França.

A abolição da escravatura não foi um ato de bondade ou benevolência da Corte brasileira. Não havia mais como sustentar um Estado escravocrata frente às mudanças mundiais. Mas é necessário que se faça algumas perguntas: E o 14 de maio? Como passaram a viver os negros e negras libertos depois dessa data? Que liberdade é essa em que pessoas trabalharam por séculos construindo uma nação, enriquecendo um país para depois serem descartadas?

É importante lembrarmos que nesse período o Governo adotou uma política de branqueamento do país. Estimava-se que com a vinda dos europeus para cá (principalmente alemães e italianos) o Brasil se desenvolveria. Tanto é que todo aquele que viesse da Europa nesse período, se declarasse branco e cristão recebia do governo terras e animais gratuitamente.

E a população negra? Ah! Para esses a história era muito diferente. Com a industrialização, mais de oitenta por cento das vagas nas fábricas era ocupada por imigrantes europeus, os negros ficaram sem emprego, não tinham direito a posse de terras ou a frequentar as escolas. O mesmo se dava com a população indígenas, que foram atacadas e expulsas de suas terras pelos colonizadores.

Assim surgem no Brasil os bolsões de pobreza, a submoradia, os cortiços onde essa população buscava a sobrevivência na informalidade e completamente invisíveis às políticas adotadas pelo Estado. Realidade que permanece até os dias de hoje, basta para isso olhar para as periferias das grandes cidades.

Hoje não há o que comemorar. A negligencia do Estado, as políticas de extermínio da população negra, o apagamento de nossa história e cultura, a perseguição ao sagrado continuam até os dias de hoje. Que o dia 13 de maio se constitua como mais um dia na luta contra o racismo que afeta a população negra a mais de 500 anos.

*Doutora em educação. Professora e coordenadora de ações afirmativas na Universidade Federal do Tocantins

Fonte: Blog do Alvinho Patriota

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