Assad alerta que intervenção na Síria incendiaria região

O ditador da Síria, Bashar Assad, advertiu que uma eventual intervenção ocidental contra seu regime poderia provocar um “terremoto” em seu país capaz de incendiar a região e gerando um novo Afeganistão, durante entrevista publicada neste domingo pelo jornal britânico “Sunday Telegraph”.

De acordo com a publicação, Assad disse que será criado “outro Afeganistão” se as forças estrangeiras decidirem intervir na Síria como fizeram na Líbia, em uma revolta que terminou com a morte de Muammar Gaddafi após ele ter ficado 42 anos no poder.

Foi a primeira entrevista do ditador a um jornalista ocidental desde o início dos protestos populares contra o regime há sete meses.

“A Síria agora é o eixo dessa região. É a linha de falha. Se vocês brincarem com ela, vocês vão causar um terremoto. Vocês querem ver outro Afeganistão ou dezenas dele?”, questionou. “Qualquer problema na Síria vai incendiar toda região. Se o plano é dividir a Síria, isso significa dividir toda região”.

Na entrevista, Assad afirmou que seu país é diferente “em todos os aspectos” do Egito, da Tunísia e do Iêmen, onde também ocorreram revoltas populares contrárias aos regimes recentemente.

O ditador sírio fez a advertência depois de uma passeata com centenas de pessoas ocorrer no sábado em direção à embaixada síria em Londres para mostrar solidariedade aos cidadãos sírios que sofrem o peso da repressão nas mãos do regime.

  Associated Press  
Reprodução de imagem de TV mostra o ditador sírio, Bashar al Assad, em agosto
Reprodução de imagem de TV mostra o ditador sírio, Bashar al Assad, em agosto

A entrevista foi publicada em um momento em que opositores de Assad pedem a adoção de uma zona de exclusão aérea na Síria, como aconteceu na Líbia, e quando a violência foi intensificada na sexta-feira e no sábado no país, com um balanço de dezenas de militares mortos.

Assad afirmou que suas forças cometeram “muitos erros” no primeiro momento da revolta contra seu regime e insistiu que as ações agora são dirigidas apenas contra os “terroristas”. Segundo ele, a Síria respondeu de forma diferente aos líderes de países como Egito, Tunísia e Líbia, onde os regimes foram derrubados este ano, e insistiu que deu início a reformas.

Desde março, a Síria é palco de revoltas populares contra o regime, e, segundo estimativas da ONU, cerca de 3.000 pessoas já morreram, sendo 187 crianças e adolescentes. O regime insiste que dirige suas ações contra militantes radicais armados que querem gerar o caos no país.

ATAQUES

Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, ao menos 20 soldados sírios morreram no sábado e outros 53 ficaram feridos em confrontos contra supostos militares desertores na cidade de Homs. Os confrontos foram intensos, com um saldo de 47 mortos em 24 horas entre as tropas do regime.

  Reuters  
Manifestantes saem às ruas da cidade de Palmyra pedindo que o ditador Bashar Assad deixe o poder
Manifestantes saem às ruas da cidade de Palmyra pedindo que o ditador Bashar Assad deixe o poder

Na sexta-feira, as forças de segurança sírias mataram dezenas de civis, numa jornada na qual a oposição convocou manifestação a favor de uma zona de exclusão aérea para pôr fim à repressão sangrenta, disseram ativistas.

As vítimas morreram, em sua maioria, nas cidades de Homs e Hama (centro do país), dois dos principais focos de rejeição ao regime do ditador, quando as forças de segurança dispararam com balas reais para dispersar os manifestantes.

PRESSÃO INTERNACIONAL

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu neste sábado “o fim imediato das operações militares contra os civis” na Síria, que registrou na sexta-feira um dos dias mais sangrentos das últimas semanas, com quase 40 civis mortos.

Citado por seu porta-voz, Ban também pediu “a libertação de todos os presos políticos e das pessoas detidas por terem participado de manifestações”.

“A violência é inaceitável e deve cessar imediatamente”, assinalou, insistindo em que as autoridades sírias lancem “reformas ambiciosas” para responder às expectativas da população.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Sobre o editor

Willames Costa
Wíllames Costa
Editor

Instagram

Parceiros do blog