Assassinatos caem 10,4% no Brasil em 2018, diz estudo

10/09/2019

O ano de 2018 experimentou um alívio nos índices de violência no Brasil. Após saltar de 47.215 para 64.021 entre 2011 e 2017, o número de mortes violentas intencionais (MVI) teve uma queda de 10,4% no ano passado e caiu para 57.341 (soma próxima à registrada três anos antes). A categoria compreende situações de homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte.

Os dados são do 13º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o mais recente relatório elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na manhã desta terça-feira. A organização coleta informações das secretarias estaduais de Segurança Pública e Defesa Social, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de manter números próprios.

A taxa de queda é semelhante à detectada nos dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Segundo a pasta, houve 13% menos mortes violentas intencionais em 2018 em relação a 2017 — ano recorde para esse tipo de crime em todo o país desde o início da série histórica. 

Nem todos os estados brasileiros, no entanto, registraram essa melhora no índice. Amapá, Roraima, Tocantins e Pará viram esse tipo de crime saltar em 2018, enquanto todas as outras unidades da federação tiveram queda. O caso mais surpreendente é o do Amapá, que teve apenas 26 casos de mortes violentas intencionais em 2011, mas viu o número subir para 480 no ano passado (variação de 1.423%). A taxa, que era de 3,8 crimes desse tipo a cada 100 mil habitantes, disparou para 57,9, um dos índices mais altos do país. Em 2017, o número absoluto era de 434, e a taxa, de 54,4.

– O número [de homicídios] não é baixo. Nos coloca entre as nações mais violentas do mundo – diz Renato Sérgio de Lima, diretor presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

– Essa queda não veio num passe de mágica, é uma queda que tem a ver ainda com um momento de alta, porque o patamar brasileiro ainda é muito alto. Vivemos em uma sociedade muito violenta.

– O fenômeno da queda vem ocorrendo desde 2015 e não pode ser visto como pontual a partir do ano passado. É algo acumulado. São várias as hipóteses, desde a acomodação da dinâmica do crime organizado em torno das rotas internacionais, das disputas por territórios, políticas públicas de caráter local, até mesmo aspectos sociodemográficos – completa.

Fonte: O Globo

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