Autoridades israelenses se reúnem para estudar resposta à Unesco

Os oito principais ministros do governo israelense se reunirão na tarde desta terça-feira em Jerusalém para analisar as possíveis respostas à votação que aprovou a entrada da Palestina como Estado membro pleno na Unesco, a agência cultural da ONU.

De acordo com a mídia local, apesar de não haver garantias de as autoridades sairão do encontro com decisões sobre o assunto, os ministros estudarão propostas de reação. Entre as possibilidades está aumentar a construção nas colônias judaicas nos territórios ocupados de Jerusalém Oriental e Cisjordânia.

Também será analisada a possibilidade de se reter as taxas e tarifas que Israel arrecada para enviar à ANP (Autoridade Nacional Palestina), como estipulam os Acordos de Oslo, ou retirar os passes exclusivos de dirigentes palestinos, que, com esses documentos, podem cruzar fronteiras e postos militares de controle com mais facilidade.

“O que aconteceu na Unesco não é algo sem importância e deve ser tratado com seriedade. Israel pode escolher efetuar uma resposta unilateral própria a esta iniciativa”, disse fonte diplomática citada pela edição on-line do diário “Yedioth Ahronoth”.

Outras fontes ligadas ao Executivo davam a entender que a reação será edificar mais casas em assentamentos situados em “lugares que Israel não vê como problemáticos”, embora o anúncio receba “críticas internacionais”.

Sebastian Scheiner/Associated Press
Premiê israelense, Benjamin Netanyahu, discursa no Parlamento; seu gabinete se reúne hoje
Premiê israelense, Benjamin Netanyahu, discursa no Parlamento; seu gabinete se reúne hoje

Entrevistado pela rádio pública, o vice-ministro israelense das Relações Exteriores, Danny Ayalon, afirmou que o país quer estudar respostas à votação no nível diplomático e político.

“A Unesco se tornou uma organização política ao admitir um Estado que não existe, depois da votação de uma maioria automática de seus membros. Esta iniciativa dos palestinos demonstra que eles não querem a paz nem negociações, têm apenas a intenção de perpetuar o conflito”, ressaltou.

O vice-chanceler também manifestou decepção com a França, que cedeu à Autoridade Palestina depois de ter tentado dissuadi-la de sua iniciativa na Unesco.

VOTAÇÃO

Na segunda-feira, a Palestina se tornou membro pleno da Unesco durante uma votação nominal na 36ª Conferência Geral do órgão, em Paris. A resolução foi aprovada com 107 votos a favor, 52 abstenções, e 14 votos contrários, entre eles de Israel, Alemanha e Estados Unidos.

Para conceder o status de Estado-membro à Palestina, a Unesco precisava do voto favorável de dois terços dos 193 países representados na votação.

A condição anterior dos palestinos era de membro observador. A solicitação de mudança de status é parte da batalha diplomática empreendida pelo povo árabe para que sejam reconhecidos como Estado, o que culminaria em sua tentativa de ingressar na ONU.

A agência é a primeira da organização em que os palestinos buscaram integração como membro total desde que o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, entrou com o pedido de assento na ONU, em 23 de setembro. Os palestinos se preparam agora para apresentar um pedido de ingresso na OMS (Organização Mundial da Saúde), segundo o ministro da Saúde da ANP, Fathi Abu Moghli.

Mike Segar – 23.set.11/Reuters
Presidente de Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, mostra cópia de pedido de adesão à ONU em setembro
Presidente de Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, mostra cópia de pedido de adesão à ONU em setembro

Abbas saudou nesta segunda-feira a adesão da Palestina como membro pleno da Unesco como uma “vitória” para os direitos de seu povo. “Aceitar a Palestina na Unesco é uma vitória para (os nossos) direitos, para a justiça e para a liberdade”, disse seu porta-voz, Nabil Abu Rudeina.

CORTES

Em resposta à votação favorável aos palestinos, o ministro das Relações Exteriores israelense, Avigdor Lieberman, defendeu ontem no Parlamento a possibilidade de cortar todos os vínculos com a ANP.

“Minhas recomendações serão muito claras. Temos que avaliar o corte de todos os vínculos com a Autoridade Palestina. Não podemos seguir aceitando medidas unilaterais uma após a outra”, disse Lieberman, que participará da reunião ministerial desta tarde.

Na manhã desta terça-feira, o chefe negociador palestino, Saeb Erekat, declarou à rádio militar israelense que o governo do premiê Benjamin Netanyahu deveria ter sido o primeiro país a aplaudir a votação na Unesco, já que israelenses e palestinos compartilham uma “terra com história e cultura comuns”.

Poucas horas depois do anúncio da admissão da Palestina como membro pleno da Unesco, os Estados Unidos, que votaram contra a resolução, anunciaram a suspensão dos repasses de fundos à entidade.

Segundo a porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland, a decisão da Unesco foi “lamentável, prematura e mina o objetivo comum para um acordo de paz justo e duradouro” entre israelenses e palestinos.

Por isso, segundo ela, os EUA deixarão de fazer o pagamento de US$ 60 milhões que fariam em novembro, apesar de continuarem membros da organização.

Os EUA –que se retiraram da Unesco em 1984 argumentando que não estava de acordo com a gestão do organismo, regressando em 2003– advertiram em reiteradas ocasiões que poderiam cortar a ajuda econômica à Unesco, de 22% do orçamento bianual, que chega a US$ 653 milhões.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

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