Berlusconi ataca S&P’s após rebaixamento da nota da dívida italiana

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, reagiu nesta terça-feira ao rebaixamento da nota da dívida italiana pela agência de rating S&P´s. O rebaixamento ocorrido ontem ameaça elevar a preocupação de contágio no cenário de dívida na zona do euro.

Berlusconi disse que o rebaixamento não reflete a realidade e que seu governo já estava tomando medidas para estimular o crescimento.

“As avaliações da Standard and Poor’s parecem ditadas mais pelas histórias contadas pelos jornais do que pela realidade e parece ter sido influenciada por considerações políticas”, afirmou Berlusconi em um comunicado.

Em sua conclusão, a S&P informa que “o rebaixamento reflete nossa visão de que a frágil coalizão que governa a Itália e as diferenças políticas dentro do Parlamento seguirão limitando a habilidade do governo para responder de forma decisiva aos desafios internos e ao entorno macroeconômico externo”.

Por isso, o governo do premiê Silvio Berlusconi frisou em seu comunicado que “sempre obteve a confiança do Parlamento, demonstrando a solidez de sua maioria”.

A nota do governo também ressalta que a “Itália aprovou recentemente intervenções que preveem o equilíbrio orçamentário em 2013 e que o governo projeta medidas a favor do crescimento, cujos frutos serão vistos já a curto ou médio prazo”.

As conclusões da S&P fizeram com que na manhã desta terça-feira disparasse o prêmio de risco da Itália, medido pelo diferencial entre o bônus italiano a dez anos e o alemão de mesmo prazo, alcançando 399,3 pontos. Já a Bolsa de Milão abriu em baixa, com seu principal indicador, o FTSE MIB, perdendo 1,05%.

MEDIDAS

O governo de Berlusconi já toma medidas contra as agências de rating. Segundo publicou o jornal “The Guardian”, no mês passado, a polícia italiana, sob ordem dos promotores, realizou diligências nos escritórios da Moody’s e da Standard & Poor’s, como parte da investigação do papel dessas agências na turbulência recente dos mercados financeiros.

Além da Itália, Espanha, Irlanda, Grécia, Portugal e Chipre tiveram sua nota da dívida rebaixada em 2011. A dívida do país, que aprovou um pacote de austeridade da semana passada, alcança o valor de 120% do PIB (Produto Interno Bruto).

REBAIXAMENTO

A S&P’s reduziu ontem a nota da dívida da Itália, citando questões econômicas, fiscais e políticas. A agência de rating informou ter rebaixado a nota da dívida italiana de “A+/A-1+” para “A/A-1”, e manteve sua perspectiva negativa.

Em comunicado, a S&P explicou que o corte reflete a fraqueza nas perspectivas de crescimento econômico da Itália, bem como a frágil coalizão do governo e as diferenças políticas dentro do Parlamento, que continuarão limitando a capacidade do governo para responder decisivamente aos desafios domésticos e externos, informou a agência.

“Em nossa opinião, as medidas incluídas e o cronograma de implementação do Plano de Reforma Nacional provavelmente farão pouco para melhorar a performance econômica da Itália, particularmente num cenário de condições financeiras mais apertadas e de programa de austeridade fiscal do governo”, informou a S&P.

A medida da S&P surpreendeu o mercado, que pensava que a agência Moody’s cortaria a nota da Itália antes.

MODDY´S

A Moody´s também anunciou na sexta-feira (16) que continua avaliando a possibilidade de rebaixar a nota da dívida da Itália, atualmente em “Aa2”, e prevê o anúncio da decisão para outubro.

Há alguns meses, a agência anunciou que a nota estava em revisão para possível rebaixamento, mas desde então não voltou a se pronunciar.

“A Moody’s tentará concluir a revisão durante o próximo mês”, disse a empresa em comunicado, três meses depois de anunciar o início da revisão da nota italiana.

A nota da Itália –terceira maior economia da União Europeia– está a dois degraus da nota AAA, a mais alta atribuída por essa agência.

A Moody’s colocou a dívida italiana sob revisão para um possível rebaixamento em 17 de junho, mencionando a fragilidade estrutural de sua macroeconomia, o desafio de diminuir sua dívida soberana e as difíceis condições de financiamento enfrentadas pelas nações europeias fortemente endividadas.

A agência de classificação de risco afirmou que sua decisão deve-se “ao ambiente econômico e financeiro cada vez mais desafiante” e aos diversos acontecimentos políticos na zona do euro.

As notas de curto prazo da Itália continuam no nível mais alto.

ENTENDA

O “rating” é uma opinião sobre a capacidade de um país ou uma empresa saldar seus compromissos financeiros. A avaliação é feita por empresas especializadas, as agências de classificação de risco, que emitem notas, expressas na forma de letras e sinais aritméticos, que apontam para o maior ou menor risco de ocorrência de um “default”, isto é, de suspensão de pagamentos.

As três agências de classificação de risco de maior visibilidade são a Standard & Poor’s, a Moody’s e a Fitch Ratings.

Arte Folha Online

As agências usam praticamente o mesmo sistema de letras e sinais. Assim, a melhor classificação que um país pode obter é Aaa (Moody’s) ou AAA (Standard & Poor’s) que, conceitualmente, significam “capacidade extremamente forte de atender compromissos financeiros”.

Na ponta oposta, um título classificado como “C”, para a S&P ou a Moody’s, tem altíssimo risco de não ser pago.

“A taxa média de ‘default’ [moratória] entre 1970-2000 para títulos [classificados como] Aaa sobre um período de 10 anos foi de apenas 0,67”, afirma a Moody’s.

DA REUTERS
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