Bovespa cede 2,2% com nervosismo por Grécia; dólar vale R$ 1,73

A decisão surpreendente da Grécia abala os mercados mundiais na manhã desta terça-feira, com ênfase nas Bolsas europeias, mas também com fortes repercussões em Nova York e São Paulo. No epicentro da crise, a Bolsa de Atenas desaba 7%.

O índice brasileiro Ibovespa, que reflete os preços das ações mais negociadas, retrocede 2,23%, aos 57.037 pontos. O giro financeiro é de R$ 2,62 bilhões.

O dólar comercial é negociado por R$ 1,738, em forte alta de 1,99%. A taxa de risco-país marca 2,64% acima da pontuação anterior.

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Na Europa, as Bolsas amargam perdas entre 2,51% (Londres) e 3,85% (Frankfurt).

E nos EUA, a Bolsa de Nova York sofre queda de 1,64%.

Ontem à noite, o primeiro-ministro grego Georges Papandreou surpreendeu o mundo ao anunciar a intenção de submeter a um referendo popular as severas medidas de ajuste fiscal exigidas pelos organismos internacionais para continuar financiando o país.

Sem data marcada, o hipotético referendo assombrou analistas, que anteciparam uma possível expulsão da Grécia da zona do euro no caso de um resultado desfavorável aos ajustes fiscais preconizados pela União Europeia e o FMI, os virtuais fiadores da solvência grega.

“Dado que o Congresso grego já havia aprovado as medidas demandadas pelos credores do país e os bancos privados já haviam concordado com o desconto de 50% no valor de face dos novos títulos gregos (…), o referendo parece ter apenas ‘downside’ em relação ao ‘grande plano’ anunciado na semana passada”, comenta Mauro Schneider, economista-chefe da Banif Investimentos, em seu boletim diário sobre as expectativas do mercado.

“No limite, o referendo poderá acabar representando um voto de permanência ou não da Grécia na zona do euro”, acrescenta.

Além do novo capitulo da novela grega, investidores e analistas também devem repercutir hoje os resultados bastante ruins de uma influente sondagem sobre a economia chinesa.

A pesquisa oficial sobre o nível de atividade manufatureira teve o seu pior resultado mensal desde fevereiro de 2009, renovando temores de que a economia do gigante asiático pode sofrer uma desaceleração brusca nos próximos meses.

Nos EUA, as notícias também não foram muito animadoras.

Uma sondagem a cargo do influente instituto ISM apontou expansão do nível de atividade no setor manufatureiro, mas num ritmo abaixo das expectativas. A pesquisa teve uma leitura de 50,8 pontos em outubro, ante 51,6 em setembro. Economistas do setor financeiro projetavam um resultado acima dos 51 pontos.

Com a Folha.com

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