Bovespa opera instável nos primeiros negócios; dólar vale R$ 1,88

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) opera com leve alta de 0,09%, pela referência do índice de ações Ibovespa, no início da sessão de negócios desta sexta-feira.

Entre as principais Bolsas europeias, o índice FTSE (Londres) aponta uma retração de 1,23%; em Frankfurt, o índice Dax cai 2%.

O dólar comercial é cotado por R$ 1,881, em uma queda de 0,73% sobre o fechamento de ontem.

Somente neste mês, a taxa cambial já valorizou 18,9% (até ontem). Desde o final de julho, quando bateu o menor valor deste ano (R$ 1,53), o valor da divisa americana aumentou 23,3%.

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O Banco Central, que tinha espaçado suas intervenções no câmbio (ao ponto de suspender seus leilões diários para compra de moeda), “reapareceu” no mercado financeiro ontem, pouco tempo depois que a taxa atingiu o pico de R$ 1,96.

Para alguns analistas do setor financeiro, o BC pode ter sinalizado um “teto” informal para o dólar dessa maneira, um nível de preços a partir do qual haveria desconforto entre as autoridades econômicas.

Embora o dólar mais alto seja benéfico para as exportações do país –como já salientou o ministro Guido Mantega (Fazenda)– também afeta a inflação doméstica, ao tornar mais caros os produtos importados, tanto bens de consumo quanto bens de capital.

Como não existe oficialmente uma “banda cambial” (extinta há muito tempo), trata-se de uma interpretação dos profissionais desse meio, e que será posta à prova nos próximos dias.

Mas ficou o aviso: ontem, a autoridade monetária afirmou que ‘poderá voltar a atuar, a qualquer momento, de modo a assegurar condições apropriadas de liquidez nos mercados de câmbio’.

DÓLAR MAIS CARO

Há vários fatores apontados por analistas do mercado para (tentar) explicar a disparada dos preços: o medo de um calote da Grécia (e os efeitos nocivos desse evento para o sistema bancário europeu); a perspectiva de juros ainda mais baixos nos próximos meses (o que reduz o apelo para que grandes investidores estrangeiros migrem capital para cá), e finalmente, movimentos especulativos, executados no mercado futuro de moeda, mas que afetam os preços no segmento à vista.

Em um cenário internacional de maior incerteza, tradicionalmente investidores correm para os chamados “portos seguros”: o dólar e o ouro.

A commodity metálica é um refúgio histórico para aqueles que buscam se proteger contra as turbulência da economia mundial. Já o dólar é a moeda em que os ativos mais seguros do planeta são negociados: os títulos do Tesouro dos EUA.

Por outro lado, economistas também destacam vários motivos que podem levar a taxa cambial a mudar de rota no curto ou no médio prazo: as reservas internacionais robustas do país,e o controle dos gastos públicos, o que reforça a credibilidade do país como alternativa viável para o capital externo; além do fato de que os juros brasileiros, apesar do ‘viés de baixa’ percebido pelo mercado, ainda seguem como os mais altos do planeta.

Por enquanto, no entanto, a volatidade ainda deve mandar nos mercados: conforme as autoridades europeias já indicaram uma solução para o imbróglio grego não deve aparecer antes de outubro. Por esse motivo, acreditam, a taxa cambial deve continuar pressionada.

Com a Folha.com

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