Bovespa recua 4% e dólar bate R$ 1,88 em sessão tensa

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) abriu com fortes quedas e é mantida no campo negativo, seguindo de perto a tendência das demais Bolsas de Valores. Já a taxa de câmbio doméstica, que chegou a bater R$ 1,96 logo pela manhã, moderou a velocidade de alta após uma intervenção inédita do Banco Central desde 2009.

O termômetro da Bolsa brasileira, o índice Ibovespa, recua 4,2%, aos 53.614 pontos. O giro financeiro é de R$ 3,24 bilhões, acima da média para o horário.

O dólar comercial é cotado por R$ 1,882, em um aumento de 0,91%. A taxa de risco-país marca 273 pontos, número 7,48% mais alto que a pontuação anterior.

Intervenção do BC no dólar é a primeira desde junho de 2009
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Bolsas europeias operam em queda de mais de 4%

O Banco Central vendeu nesta quinta-feira US$ 2,715 bilhões em contratos de swap cambial, que equivalem a uma venda de dólares no mercado futuro. Desde 26 de junho de 2009, o BC não realizava uma intervenção dessa ordem neste segmento de negócios.

No velho continente, as principais Bolsas operam com perdas de 4,66% (Londres), 5,25% (Paris) e 4,89% (Frankfurt). Enquanto isso, nos EUA, a influente Bolsa de Nova York cai 3,55%.

Além da preocupação com a crise europeia, analistas ainda apontam a frustração dos investidores com o plano anunciado ontem pelo banco central dos EUA (o Federal Reserve) para reestimular a economia.

Muitos esperavam uma proposta mais ousada que a operação de US$ 400 bilhões. E outra parcela reagiu mal ao aviso dessa autoridade monetária, que alertou para os “riscos significativos” da economia americana.

PERSPECTIVAS

“Gostaríamos de lembrar que apesar deste estouro da boiada do câmbio esta situação tende a se normalizar e voltar para o fundamental: o Brasil ainda é visto como um destino interessante, logo os dólares voltarão”, diz André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, em relatório distribuído ainda na abertura dos mercados.

Esse profissional ressalva que as projeções de inflação devem disparar com o dólar mais caro, o que levanta questões sobre a evolução das taxas de juros, que têm consequências para a trajetória do dólar.

“Temos que ler com atenção redobrada as ações de nosso BC [Banco Central]. Não há nada certo ainda sobre os cortes e isto deve ser meditado nos próximos dias. Até segunda ordem nosso cenário ainda é de mais três cortes na [taxa] Selic”, conclui.

DÓLAR MAIS CARO

Há vários fatores apontados por analistas do mercado para (tentar) explicar a disparada dos preços: o medo de um calote da Grécia (e os efeitos nocivos desse evento para o sistema bancário europeu); a perspectiva de juros ainda mais baixos nos próximos meses (o que reduz o apelo para que grandes investidores estrangeiros migrem capital para cá), e finalmente, movimentos especulativos, executados no mercado futuro de moeda, mas que afetam os preços no segmento à vista.

Em um cenário internacional de maior incerteza, tradicionalmente investidores correm para os chamados ‘portos seguros’: o dólar e o ouro.

A commodity metálica é um refúgio histórico para aqueles que buscam se proteger contra as turbulência da economia mundial. Já o dólar é a moeda em que os ativos mais seguros do planeta são negociados: os títulos do Tesouro dos EUA.

Por outro lado, economistas também destacam vários motivos que podem levar a taxa cambial a mudar de rota no curto ou no médio prazo: as reservas internacionais robustas do país,e o controle dos gastos públicos, o que reforça a credibilidade do país como alternativa viável para o capital externo; além do fato de que os juros brasileiros, apesar do ‘viés de baixa’ percebido pelo mercado, ainda seguem como os mais altos do planeta.

Por enquanto, no entanto, a volatidade ainda deve mandar nos mercados: conforme as autoridades europeias já indicaram uma solução para o imbróglio grego não deve aparecer antes de outubro. Por esse motivo, acreditam, a taxa cambial deve continuar pressionada.

Com a Folha.com

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