Brasileiro-12 pode virar hoje o mais ‘apaulistado’ da história

Após ver o Rio festejar os últimos dois Brasileiros (Flamengo e Fluminense) e a Copa do Brasil deste ano (Vasco), São Paulo agora tem a chance de revidar. E em dose dupla.

Além de conquistar o Nacional-2011 com o Corinthians, líder do torneio faltando três jogos, o Estado pode quebrar o recorde de participação na próxima Série A.

Confirmando-se o atual grupo de acesso da segunda divisão, que hoje chega à penúltima rodada, com todos os duelos partir das 17 horas, haverá nada menos que sete paulistas entre os 20 participantes do certame em 2012.

A proporção de 35% seria a maior da era dos pontos corridos, iniciada em 2003 –igual à de 1992 e só menor desde 1959 que em 1999 (36%) e 1990 (40%).

Isso, logo depois de SP ficar apenas com os quatro grandes, situação que havia acontecido somente outras duas vezes: 2007 e 1987.

“Seria um mal, muito ruim para o futebol brasileiro”, diz Mauro Carmélio, presidente da federação cearense, terra de um dos principais ameaçados de degola na elite.

Caso o Ceará termine mesmo caindo, manterá a presença sempre de um nordestino entre os rebaixados no formato moderno do campeonato.

A campanha de seu rival Fortaleza, em 2005, é a exceção que confirma a regra.

  Robson Ventura-23.abr.2011/Folhapress  
Torcida da Ponte Preta, clube que jogou a Série A pela última vez em 2006
Torcida da Ponte Preta, clube que jogou a Série A pela última vez em 2006

Para fazerem companhia à Portuguesa, já garantida há duas rodadas, Ponte Preta e Bragantino (3ª e 4º colocados) precisam vencer ABC e ASA, ambos em casa, e contar com derrota do Vitória e, no máximo, empate do Sport, ante São Caetano e Barueri.

Os rivais também jogam perante suas torcidas.

Se ainda não der para comemorar nesta noite, a dupla vai como favorita para ratificar a subida na despedida da Série B, no sábado que vem.

“As equipes de Sul e Sudeste são favorecidas pela questão financeira, ganham muito mais dinheiro, sobretudo as de São Paulo. E esse novo acordo de TV parece que veio só para aumentar mais esse abismo”, afirma o cearense Carmélio, que aponta para o que considera um efeito imediato: a diminuição da média de público do Nacional.

“Aqui no Nordeste temos muito mais carinho ao futebol”, diz, citando o exemplo do Bahia, dono da terceira maior marca do Brasileiro.

Ele ainda menciona o pernambucano Santa Cruz e os paraenses Paysandu e Remo. “A própria crise desses clubes provoca esse ‘apaulistamento’ aí.” O trio se encontra abaixo até da Segundona.

Procurado, o presidente da federação paulista, Marco Polo Del Nero, minimiza: “Esse é um tema em que é preciso ter muita cautela. São momentos do futebol. Quis o destino e o trabalho das diretorias que possa ser assim”.

Chefe da federação do Rio, Rubens Lopes não quis se pronunciar sobre o assunto.

Com a Folha.com

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