Cautela do investidor faz Bovespa perder 2% no fechamento

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) encerrou a rodada desta segunda-feira com uma forte queda, ainda refletindo o adverso cenário externo.

Tanto as Bolsas europeias quanto as Bolsas americanas reagiram mal às declarações de várias lideranças alemãs. O ministro das Finanças Wolfgang Schäuble advertiu que os líderes da UE não devem atingir uma solução definitiva para os problemas do continente ainda no curto prazo. E a chanceler Angela Merkel apontou que a crise não deve acabar no dia 23, data estabelecida para a apresentação de novas medidas para o resgate financeiro da região.

O índice Ibovespa recuou 2,03%, e voltou para os 53.911 pontos.Nos EUA, a Bolsa de Nova York caiu 2,13%, enquanto as Bolsas de Londres e Frankfurt recuaram 0,54% e 1,80%, respectivamente.

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Para alguns analistas, no entanto, o mercado brasileiro já estava “devendo” um dia para realização de lucros (venda de ações muito valorizadas no curto prazo). Na semana passada, esse índice teve um forte incremento de 7,4%, um “salto” não visto em mais de 12 meses.

“[A Bovespa] somente não caiu mais hoje porque hoje, no mercado, tem muita gente com o pensamento de que a qualquer momento alguém [uma autoridade europeia ou do FMI] vai anunciar: ‘nós vamos fazer isso'”, comenta Expedito Araújo, da mesa de operações da corretora Alpes.

“Eu estou absolutamente certo de que nós vamos conferir um pacote [de resgate financeiro] bastante robusto dentro de dez dias. Mas eu acredito que não veremos tanto detalhes como gostaríamos (…). Vai levar alguns meses antes dessas várias questões serem resolvidas”, disse Andrew Milligan, chefe de estratégia global da corretora Standard Life Investments (EUA), à agência Reuters.

OPÇÕES

O giro financeiro da Bovespa atingiu R$ 8,55 bilhões, bem acima da média (R$ 6 bilhões/dia). Essa cifra, no entanto, inclui R$ 3,3 bilhões, movimentados pelo vencimento de opções sobre ações deste mês.

Por meio das opções, investidores podem direitos de compra ou de venda de um ativo financeiro, mediante pagamento de um prêmio, e com data certa para o vencimento.

Na sexta-feira, expiraram as opções sobre índice e hoje, as opções sobre ações: o contrato mais “exercido” foi a opção de venda sobre a ação preferencial da Petrobras ao preço de R$ 24,91, com um giro de R$ 310,5 milhões. Na segunda posição, o contrato para venda de ação preferencial da Petrobras, pelo preço de R$ 31,04 (volume de R$ 286,18 milhões).

A opção para compra de uma ação preferencial da Vale a R$ 36,14 foi o terceiro contrato mais negociado, movimentando R$ 283,37 milhões.

EUA, EUROPA E COPOM

Entre as poucas notícias de maior destaque no dia, o Federal Reserve (banco central dos EUA) revelou que a produção industrial do país teve um aumento de 0,2% em setembro, ante a estagnação verificada em agosto (dado revisado). O dado veio em linha com as projeções do setor financeiro. No terceiro trimestre, a taxa de crescimento do setor industrial é de 1,5% (taxa anualizada).

E no front doméstico, o boletim Focus, elaborado pelo Banco Central, mostrou que boa parte dos economistas de bancos e corretoras elevou suas projeções para a inflação de 2012. A taxa prevista o IPCA deste ano passou de 5,59% para 5,61%, conforme a mediana das projeções calculada pela autoridade monetária.

AGENDA

Essa semana será decisiva para os mercados. As lideranças europeias devem apresentar até o dia 23 um plano detalhado para manejar os piores problemas financeiros do continente.

O mundo financeiro quer ver medidas concretas para salvaguardar o setor bancário europeu, principalmente depois que, por semanas a fio, instituições financeiras da região foram duramente reavaliadas pelas agências de rating.

E nos EUA, a temporada de balanços corporativos ganha intensidade: algumas das empresas mais representativas devem entregar seus números nos próximos dias, a exemplo do banco Goldman Sachs e da Apple, fabricante dos aparelhos Iphone e Ipad.

Analistas também não descartam alguma apreensão pelo novo encontro do Copom (Comitê de Política Monetária). O consenso aponta para um Ajuste de 12% para 11%. Mas como visto em agosto, o BC já mostrou que pode surpreender. Além da expectativa, investidores querem conferir a sinalização do BC a respeito da crise europeia e seus desdobramentos.

Com a Folha.com

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