Com fama de briguentas, brasileiras são favoritas no boxe

Uma mulher forte, campeã mundial de boxe e que sonha ser dona de casa.

Favorita ao ouro em Guadalajara na categoria até 75 kg, Roseli Feitosa, 22, já entrou para a história como a primeira brasileira a ser campeã mundial de boxe, em 2010, e pode alcançar outro feito inédito no Pan.

Daniel Marenco/Folhapress
A boxeadora brasileira, Adriana Araujo, treina em Guadalajara
A boxeadora brasileira, Adriana Araujo, treina em Guadalajara

A partir de hoje, pela primeira vez, as mulheres competem nos Jogos. A modalidade também passa a ser olímpica em Londres-2012.

Apesar do sucesso, a paulista planeja continuar no esporte somente até 2016.

“Não pretendo ficar muito tempo na carreira, não. Sonho ir para a Olimpíada. Mas, quando vejo os problemas físicos que os atletas tem, me dá medo. As pancadas são consequência, mas, com o tempo, podem causar algo mais sério. É meu medo.”

“Minha vontade mesmo é ficar em casa, cuidar do meu marido, ter um filho, mas preciso de estabilidade financeira. Se eu tiver isso, eu paro”, afirmou a campeã mundial.

Hoje, ela recebe salário do projeto olímpico da Petrobras (R$ 3.100) e a bolsa-atleta do governo federal (R$ 1.800).

“Adoro ficar em casa. Passo o dia arrumando tudo, passando aspirador. Eu acho legal. Meu marido até fala para eu parar de limpar”, disse a pugilista que foi levada ao boxe justamente pelo marido, o treinador de artes marciais José Antônio da Silva.

As cicatrizes no rosto e nas mãos, porém, não são resultados das lutas. Mas das brigas com os dois irmãos, na adolescência. Certa vez, ela jogou um copo na irmã mais velha e cortou o próprio dedo. Por isso o marido, então namorado, indicou o boxe para ela “extrapolar a raiva”.

Do boxe, ela leva apenas uma cicatriz na boca e um calo no nariz, deslocado no início da carreira, há cinco anos.

A outra brasileira na estreia do boxe no Pan é a baiana Adriana Araújo, 29, que também começou a lutar por indicação de uma amiga, porque era “briguenta”.

Campeã brasileira, do Pan de boxe e dos Jogos Sul-Americanos em 2010, Adriana também é favorita a uma medalha em Guadalajara.

“Como é a primeira vez do boxe no Pan, as meninas vão vir arrebentando. Tem americanas, canadenses. E vai ter o favoritismo do México, eu acho, por causa da torcida e da arbitragem”, disse Roseli.

No boxe olímpico e pan-americano há pontuação marcada a cada toque do pugilista visto pelos árbitros.

Ex-estudante de Educação Física, a campeã mundial amadora deixou a universidade para se dedicar ao boxe. Mas diz que sempre foi muito sossegada.

“Até para lutar sou tranquila. Não consigo ter raiva do adversário”, disse Roseli.

Paulista, a boxeadora exibe o nome Jesus tatuado no braço esquerdo e um coração com as iniciais dela e do marido nas costas.

Ele também dá aulas de MMA (lutas marciais mistas), famoso por seus lutadores no UFC. Mas Roseli descarta mudar de esporte para conseguir a desejada independência financeira de que fala.

“Já tem MMA feminino na Bahia. Mas boxe, para mim, já está muito bom”, afirmou, já em tom de despedida.

Com a Folha.com

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