Comemore o Dia Mundial da Poesia lendo obras de pernambucanos

'Morte e Vida Severina', de João Cabral de Melo Neto, ganhou versão em teatro e cinema (Foto: Luna Markman/ G1)
Morte e Vida Severina’, de João Cabral de Melo
Neto, ganhou versão em teatro e cinema
(Foto: Luna Markman/ G1)

Vinte e um de março é o Dia Mundial da Poesia. A data foi instituída em 1999 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), com o propósito de promover a leitura, escrita, publicação e ensino deste gênero literário pelo mundo. Para ajudar na missão, oG1 conversou com a presidente da Academia Pernambucana de Letras, Fátima Quintas, que sugeriu obras dos poetas pernambucanos Manuel Bandeira, Mauro Mota, João Cabral de Melo Neto, Maria do Carmo Barreto Campello e Lucila Nogueira para comemorar o dia. “Pernambuco tem muitos bons poetas. Esse grupo, de quem eu aprecio muito o trabalho, está bem dosado”, explicou.

Manuel Bandeira – Estrela da Manhã
Nascido no Recife, em 1886, é um dos grandes nomes da literatura moderna brasileira. Em São Paulo, contraiu tuberculose, e a perspectiva da morte – de “ir embora pra Pasárgada” – é uma constante em sua obra. “Ele viveu muito em função da doença. Então, a gente sente na poesia dele a presença da morte e da vida cotidiana. Ele tentando vencer a cada dia a dor”, opina Fátima Quintas. Em 1940, foi nomeado membro da Academia Brasileira de Letras. O livro recomendado reúne as obras em poesia completa do autor.

Mauro Mota – A Tecelã
Embora nascido na capital pernambucana, em 1911, Mauro Mota foi criado em Nazaré da Mata, na Mata Norte do Estado, onde entrou em contato com a cultura rural canavieira, refletida tanto na sua prosa quanto no seu verso. “Ele fala muito do cotidiano, de Nazaré da Mata. Faz um recorte social na poesia”, fala Quintas. Assim, é reconhecido como um paisagista, crítico, pesquisador social e um cronista da sua região e sua terra natal. Em “Tecelã”, ele canta um protesto social carregado de emoção sobre tecelãs e cotidianos humildes.

Maria do Carmo Barreto Campello – Miradouro
“A poesia dela é extremamente apaixonada, cheia de uma saudade indefinida, que a feria por dentro”, pondera Quintas. A poetisa recifense destrinchava esses sentimentos escrevendo sobre o silêncio, a solidão, a família, o amor conjugal e maternal, entre outros temas. Seus versos vinham prontos na mente, frutos da pura inspriação, e corriam livres e sem padrões métricos no papel. Morreu em 2008, vítima de um derrame cerebral.

João Cabral de Melo Neto – Morte e Vida Severina (Auto de Natal Pernambucano)
O poeta pernambucano passeia da poesia surreal à popular, sempre primando pelo rigor estético, marcado pelo uso de rimas toantes. Talhando versos cerebrais até a exaustão, deixou de herança para a literatura brasilera uma nova forma de trabalhar o gênero. “Ele é bem diferente dos outros, pois sua poesia é muito técnica, mas, nem por isso, menos bela”, comenta Fátima Quintas. A obra indicada é a mais conhecida do escritor, uma narrativa simple sobre a típica realidade do pernambucano que foge da seca em busca do Recife e termina morando numa favela ribeirinha.

Lucila Nogueira – Livro do Desencanto
Nascida no Rio de Janeiro e radicada no Recife, além de poeta, Lucila Nogueria é tradutora, editora , contista e professora. “Ela tem uma criatividade impressionante, consegue transformar uma pedra em flor. Esse é o verdadeiro trabalho de um poeta”, finaliza.

As obras podem ser encontradas na Biblioteca Pública Estadual, que fica na Rua João Lira, s/n, no bairro de Santo Amaro, no centro do Recife. Para ser sócio do local, é preciso apresentar RG, CPF, comprovante de residência e pagar uma taxa anual de R$ 2,50.

Atualmente, a APL não conta com uma biblioteca. “Nós temos 30 mil títulos, de autores locais a internacionais, mas, infelizmente, falar patrocínio para manter uma biblioteca”, lamentou Fátima Quintas.

Poesia do mundo inteiro
Os poetas citados não têm textos incluídos na biblioteca digital Domínio Público, do Ministério da Educação. Para isso, é preciso a devida licença por parte dos titulares dos direitos autorais pendentes ou ter passado 70 anos contados de 1° de janeiro do ano subsequente ao falecimento do autor.

No portal, é possível ler gratuitamente obras de poetas famosos no mundo inteiro, como “Odisseia” (Homero) e “Os Lusíadas” (Luís de Camões). Há também textos de autores brasileiros, como “O Navio Negreiro” (Castro Alves), “A Via Láctea” (Olavo Bilac) e uma seleção de poemas de Fernando Pessoa, o segundo arquivo mais baixado pelos internautas – só fica atrás de “A Divina Comédia”, do italiano Dante Alighieri.

Fonte: Do G1 PE

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