Congresso dos EUA diz que pizza é “verdura”

As crianças americanas vão continuar devorando pizza na escola como se estivessem comendo verdura, decidiu anteontem à noite o Congresso dos EUA, ao votar uma nova lei orçamentária.

Não, você não leu errado. As diretrizes do país para a merenda escolar estipulam, entre outras coisas, que a massa de tomate num pedaço de pizza conta como uma porção de verdura do ponto de vista nutricional.

Uma proposta do Departamento de Agricultura do governo Obama tentou mudar isso, dobrando a quantidade de massa de tomate que seria equivalente a uma porção de verdura. Isso inviabilizaria a presença das pizzas nessa categoria, já que elas teriam de nadar em molho para se adequar à nova regra.

A proposta também falava em reduzir o teor de sódio nos alimentos e aumentar a presença de grãos integrais na merenda –todas medidas que fazem sentido num país em que a obesidade atinge 12,5 milhões de crianças, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças.

SALVEM A BATATA FRITA

Os congressistas americanos de ambos os partidos, porém, foram contra a medida, em grande parte graças ao lobby da indústria de alimentos processados e dos Estados que plantam culturas como a batata –uma das ideias envolvia reduzir a batata frita e outras formas do tubérculo no cardápio escolar.

O Instituto Americano de Comida Congelada, por exemplo, não hesitou em atacar a iniciativa. “Você basicamente faz com que uma pizza seja impossível de comer se colocar esse monte de molho nela, e as pizzas são uma parte importante do almoço escolar”, declarou Corey Henry, porta-voz do instituto.

Henry também argumentou que muitos nutrientes, como as vitaminas A e C, aparecem em concentrações maiores na massa de tomate do que no tomate fresco.

Por trás das declarações bizarras estão distorções econômicas geradas por décadas de subsídio para o agronegócio e a indústria de alimentos, explica Kelly Bromwell, especialista em política alimentar da Universidade Yale (Costa Leste dos EUA).

“Nos anos 1970, para tentar ajudar os fazendeiros americanos a competir no mercado global, o governo Nixon escolheu uma cesta de lavouras, como a de soja e a de milho, que acabou alimentando a indústria de alimentos processados e favorecendo a epidemia de obesidade”, afirma Bromwell.

Ironicamente, o vilão desses subsídios foi o Departamento de Agricultura, o mesmo que agora tenta corrigir parte do estrago que gerou.

NO BRASIL

Os piores abusos da situação americana são raros nas escolas públicas do Brasil.

Entre as diretrizes do MEC (Ministério da Educação) está a proibição de compra de refrigerantes e restrições à aquisição de embutidos e doces, por exemplo.

Já a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo diz adotar medidas “saudáveis” nos alimentos dos seus mais de 600 mil alunos.

Além de oferecer hortaliças todos os dias e frutas quatro vezes por semana, as escolas municipais não servem refrigerantes, e há pães e biscoitos integrais.

Nesse espírito, os alunos da rede municipal têm, desde esta semana, duas opções vegetarianas, que usam proteína de soja no lugar da carne. Por enquanto, esses pratos só aparecerão no cardápio a cada 15 dias.

Com agências de notícias e “The New York Times”

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