Conselho de Segurança começa a discutir Estado palestino

O Conselho de Segurança da ONU começa nesta segunda-feira a discutir o pedido da Palestina de adesão como Estado pleno na organização. A requisição formal foi feita pelo presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, na sexta-feira (23) em carta entregue ao secretário-geral, Ban Ki-moon.

O pedido precisa do apoio de nove dos 15 membros do Conselho para ser aceito e não pode ser vetado por nenhum membro permanente do órgão. Os Estados Unidos, porém, já afirmaram que vão vetar a tentativa.

Diplomatas afirmam que pode levar semanas até que a requisição seja votada. O libanês Nawaf Salam, presidente do Conselho neste mês, disse que já circulou a carta de Abbas entre os 15 membros.

Em resposta ao pedido de Abbas, os EUA convocaram o presidente da ANP a retornar às “negociações diretas” com Israel, apesar de seu pedido de adesão à ONU de um Estado Palestino.

“Todos devemos reconhecer que o único caminho para criar um Estado é através de negociações diretas, não de atalhos”, afirmou a embaixadora americana na ONU, Susan Rice, em um comentário divulgado no Twitter após o encontro de Abbas com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

As negociações diretas entre Israel e palestinos estagnaram em setembro de 2010.

PALESTINA

Durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU na sexta, Abbas informou que havia entrado com o pedido formal de reconhecimento da Palestina como Estado pleno. A declaração recebeu muitos aplausos, mas foi a tentativa foi considerada prematura por Israel, que afirmou que os palestinos se recusam a realizar negociações diretas para resolver o impasse na região.

Abbas quer que o Conselho aceite a Palestina com as fronteiras de antes de 1967. “O estado que queremos será caracterizado pelo direito, pela democracia e pela igualdade”, afirmou. “Esse é o momento da verdade. Nosso povo espera ouvir a resposta do mundo. Ele deixará que a ocupação continue em nossa terra? Nós somos o último povo mundial sob política de ocupação”.

O líder palestino mostrou uma cópia da carta entregue à Ban e pediu aos membros do Conselho de Segurança da ONU que votem a favor do reconhecimento palestino como Estado pleno, o que seria, segundo ele, uma vitória da paz, justiça, lei e legitimidade internacional.

ISRAEL

Ao discursar pouco depois de Abbas, primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que Israel quer paz e quer negociar um acordo na região, o que, segundo ele, os palestinos se recusam a fazer.

“Estendo minha mão ao povo palestino, com quem buscamos uma paz duradoura e longa”, disse. Ele ressaltou, porém, que um acordo não poderá ser alcançado por meio de resoluções das Nações Unidas, mas somente por meio das negociações, que os líderes palestinos, segundo ele, não estão dispostos a fazer.

Netanyahu ressaltou que “Israel quer viver em paz desde sua fundação”, apesar de, seundo ele, não ser essa a visão que a maioria dos países têm de seu governo. O premiê afirmou que Israel sofre retaliação na ONU desde que se decretou seu nascimento, há 63 anos. “Isso acontece apesar de sermos a única democracia real no Oriente Médio.”

Editoria de Arte/Folhapress


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