Cortejados por europeus, Dilma e Hu Jintao discutem crise

Cortejados pelos países europeus como algumas das possíveis fontes de salvamento para as economias em crise da região, os presidentes do Brasil, Dilma Rousseff, e da China, Hu Jintao, se reúnem nesta quarta-feira para discutir a situação.

O encontro ocorre em Cannes, na França, onde a partir de quinta-feira ocorre a reunião anual de cúpula do G20, o grupo que reúne as principais economias do mundo.

A cúpula deste ano deve ser dominada pelas discussões a respeito da crise da dívida dos países europeus.

Na semana passada, após uma reunião que apresentou um plano de resgate da Grécia e para capitalização dos bancos europeus, os líderes dos países da zona do euro manifestaram o desejo de que os grandes países emergentes contribuíssem para o aumento do capital do EFSF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira), também anunciado no encontro.

Representantes dos países do grupo Brics (que reúne, além de Brasil e China, Rússia, Índia e África do Sul), já manifestaram a disposição em ajudar, mas afirmam que essa ajuda teria de ser canalizada por meio do FMI (Fundo Monetário Internacional) e não diretamente ao fundo.

Dilma Rousseff e Hu Jintao poderão se encontrar novamente na manhã da quinta-feira, em uma reunião com os demais líderes dos Brics. Esse encontro, porém, ainda não estava confirmado até a manhã desta quarta.

A presidente do Brasil chegou a Cannes na tarde da terça-feira, acompanhada pelos ministros Guido Mantega, da Fazenda, Antonio Patriota, das Relações Exteriores, e Helena Chagas, da Comunicação Social.

A agenda de Dilma tem ainda outros dois encontros bilaterais nesta quarta-feira – um com a premiê da Austrália, Julia Gillard, e outro com o diretor-geral da OIT (Organização Internacional do Trabalho), Juan Somavia.

MOVIMENTAÇÃO

Apesar do início oficial marcado somente para a quinta-feira, a movimentação de chefes de Estado em Cannes já deverá ser intensa nesta quarta-feira.

O encontro mais esperado do dia será entre o primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, além de representantes do FMI, da União Europeia e do Banco Central Europeu.

Papandreou, cujo país não faz parte do G20 e não participaria da cúpula, foi convocado às pressas por Sarkozy a Cannes para explicar o anúncio de que o plano europeu de resgate da Grécia seria submetido a um referendo no país.

O anúncio do referendo provocou pânico nos mercados financeiros na terça-feira.

O plano prevê o corte voluntário de 50% no montante da dívida grega, mas os mercados financeiros temem que se ele for rejeitado pela população grega, o país seja obrigado a dar um calote forçado e desordenado, com perdas ainda maiores.

DA BBC BRASIL

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