Cristina terá poder inédito desde volta da democracia argentina

Em dezembro deste ano, a presidente argentina, Cristina Kirchner, iniciará seu segundo mandato com uma concentração de poder sem precedentes desde a volta da democracia no país em 1983, de acordo com o jornal local “La Nación”.

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De acordo com resultados da apuração de 96% das urnas, Cristina conquistou 53,8% dos votos, com uma vantagem de 37 pontos porcentuais sobre o segundo colocado, o socialista Hermes Binner, governador da província de Santa Fé.

Além disso, ela obteve a maioria em ambas as câmaras do Congresso e seu partido elegeu oito das nove províncias que votaram para governador no domingo. Os resultados vão contra a previsão dos opositores de que conseguiriam obter um equilíbrio legislativos.

O resultado marca uma dramática mudança na carreira de uma líder que enfrentou irados protestos de fazendeiros e eleitores de classe média no início de seu governo, levando críticos a preverem que ela não conseguiria cumprir seu mandato.

“Se algum de nós tivesse dito dois anos atrás que isto seria possível, teriam nos dito que estávamos loucos”, afirmou Cristina, chorando, a milhares de partidários que se concentraram na praça diante do palácio presidencial em Buenos Aires.

Leo La Valle/Efe
Presidente argentina, Cristina Kirchner, cumprimenta eleitores ao lado do seu vice, Amado Boudou
Presidente argentina, Cristina Kirchner, cumprimenta eleitores ao lado do seu vice, Amado Boudou

Nenhum líder argentino conseguia votação tão expressiva desde que o general Juan Domingo Perón foi eleito presidente pela terceira vez com 62% dos votos, em 1973. Com o resultado, ela também será a terceira mandatária argentina a exercer o poder em períodos consecutivos –os outros foram Perón e Carlos Menem.

Logo após a divulgação dos primeiros dados da apuração oficial, na noite de domingo, Cristina se declarou vitoriosa em um discurso realizado diante de centenas de partidários reunidos em frente ao hotel Intercontinental, no centro de Buenos Aires, que serviu de quartel-general da sua campanha.

Durante uma emotiva mensagem na qual apelou para a “união nacional”, a mandatária lembrou o marido, Néstor Kirchner (presidente entre 2003 e 2007) –que morreu no ano passado–, e reconheceu o papel dele em sua vitória durante.

“Néstor Kirchner é o grande fundador da vitória desta noite e sem as coisas que ele se atreveu a fazer teria sido impossível chegar até aqui”, afirmou Cristina. “Quando penso nele em 2003 e seus 22% de votos, meu Deus, tudo o que pôde fazer, e vejo hoje estes números, que são impressionantes e que agradeço infinitamente. São números que se os pensássemos há dois anos, nos teriam tratado como loucos”.

“Tenho a honra de ser a primeira mulher reeleita do país. Que mais posso querer. A única coisa que quero é contribuir com a mais alta responsabilidade a continuar engrandecendo a Argentina”, disse.

“Quero ser uma pessoa que ajudou a mudar a história com o resto dos argentinos”, declarou Cristina, antecipando sua intenção de “continuar aprofundando um projeto de país para 40 milhões de argentinos”.

Victor R. Caivano/Associated Press
Multidão de eleitores saúda a presidente Cristina Kirchner em Buenos Aires
Multidão de eleitores saúda a presidente Cristina Kirchner em Buenos Aires

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