Dilma defende PC do B e diz não ter pressa sobre caso Orlando

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira (20), antes de embarcar de volta ao Brasil, que não se pode “demonizar” o PC do B, partido de Orlando Silva, após as acusações envolvendo o Ministério do Esporte.

“Não se pode demonizar partidos que lutaram no Brasil pela democracia”, disse ela sobre o desgaste do PC do B com as denúncias envolvendo o ministro.

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“Fazer julgamento de partido é uma tolice. O meu governo respeita o Partido Comunista do Brasil, que tem quadros absolutamente importantes para o país.”

Dilma disse que existe um “processo irracional” nas críticas ao partido.

Sobre as acusações contra Orlando, ela afirmou que não tem pressa e que vai preservar o governo e os interesses do país.

A presidente disse ainda que não se pode fazer “apedrejamento moral de ninguém”.

Ela destacou que não vai permitir que façam julgamento precipitado e que é preciso “preservar a presunção da inocência”.

“Eu vou olhar tudo com imensa tranquilidade e tomarei as posições necessárias para preservar não só o governo, mas preservar os interesses do país.”

A presidente criticou a imprensa por noticiar vazamentos e opiniões do governo que, segundo ela, não correspondem com o que pensa.

“Eu li com muita preocupação as notícias do Brasil. Primeiro pelo grau de imprecisão nas observações a respeito do governo. O governo não fez, não fará, nenhuma avaliação e julgamento precipitados de quem quer que seja. Eu acho que fontes, vazamentos… É interessante que vazam frases com aspas minhas e eu não falei com ninguém.”

Dilma voltou a reforçar que está interessada na apuração das denúncias. “Tem que ter um processo sistemático de investigação, de apuração, de malfeitos. Sempre preservando a presunção da inocência das pessoas.”

A presidente falou à imprensa em Luanda, capital de Angola, última cidade que visitou durante um tour pela África. Ela deve chegar a Brasília hoje à noite.

ENTENDA O CASO

Dois integrantes de um suposto esquema de desvio de recursos do Ministério do Esporte acusam Silva de participação direta nas fraudes, segundo reportagem publicada pela revista “Veja”.

O soldado da Polícia Militar do Distrito Federal João Dias Ferreira e seu funcionário Célio Soares Pereira disseram à revista que o ministro recebeu parte do dinheiro desviado pessoalmente na garagem do ministério.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou que irá investigar as acusações.

Segundo o ministro, que tem desqualificado o policial militar em entrevistas e nas oportunidades que falou do assunto, disse que as acusações podem ser uma reação ao pedido que fez para que o TCU investigue os convênios do ministério com a ONG que pertence ao autor das denúncias.

Em nota, o Ministério do Esporte disse que João Dias firmou dois convênios com a pasta, em 2005 e 2006, que não foram executados. O ministério pede a devolução de R$ 3,16 milhões dos convênios.

De acordo com o ministro, desde que o TCU foi acionado, integrantes de sua equipe vêm recebendo ameaças.

ACORDO

Em entrevista publicada na terça pela Folha, Ferreira disse que Orlando Silva lhe propôs um acordo, em março de 2008, para que não levasse a órgãos de controle e à imprensa denúncia sobre irregularidades no Programa Segundo Tempo.

Ferreira protestou, na reunião que afirma ter tido, sobre ação do ministério que apontou irregularidades em dois convênios. O ministro nega o encontro com Ferreira em 2008. Diz que só se encontrou com ele em 2004 e 2005.

Anteontem, o delator participou de reunião com lideranças da oposição no Congresso Nacional, e afirmou que em breve novos documentos serão mostrados para comprovar os desvios. Segundo ele, há “mais de 300 caixas pretas” que comprovariam as irregularidades.

Com a Folha.com

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