Dilma usa crise para tentar aprovar desvinculação de receitas

A presidente Dilma Rousseff traçou hoje a deputados e senadores um cenário pessimista sobre os efeitos da crise econômica na zona do Euro, e usou isso como argumento para convencer os líderes da base aliada no Congresso a trabalharem pela aprovação da emenda que prorroga o poder do Executivo de mexer em uma parcela de 20% do Orçamento ao longo do ano.

O Planalto argumenta que essa margem de manobra, chamada DRU (Desvinculação de Receitas da União), dará flexibilidade ao governo para lidar com os efeitos negativos da crise econômica.

Segundo a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais), que fez um relato da reunião à imprensa, a presidente Dilma apresentou aos parlamentares um balanço da participação brasileira na reunião do G20, semana passada, na França.

“A presidente disse que tudo leva a crer que a crise será longa, e com bastante gravidade”, disse Ideli. “Queremos a prorrogação da DRU por quatro anos. Não há nenhuma perspectiva para a crise ser solucionada pelos próximos dois anos.”

Questionada sobre a situação do ministro Carlos Lupi, que também participou da reunião no Palácio do Planalto, Ideli minimizou a crise na pasta e destacou os bons índices de emprego no país, servindo até de contraponto aos eventuais efeitos negativos da crise econômica sobre o país.

“Nós estamos vivendo uma das principais características que diferem o Brasil da grande maioria dos países: estamos vivendo uma situação quase de pleno emprego”, afirmou.

Segundo a ministra, os líderes de partidos presentes à reunião se manifestaram consensualmente no sentido de aprovar o projeto do governo, sem pedir nada em troca, como a redistribuição dos royalties do petróleo e a liberação de emendas parlamentares. Apesar disso, a ministra disse que, na próxima sexta-feira, liberará parte das emendas represadas. Ela não falou em valores.

Com a Folha.com

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