Egito encerra 1º dia de votação de histórica eleição parlamentar

Os colégios eleitorais egípcios fecharam suas portas às 21h locais (17h em Brasília) desta segunda-feira, depois que o prazo para a votação ter sido ampliado em duas horas pelo atraso na abertura de alguns postos durante as primeiras eleições parlamentares desde a queda do ex-ditador Hosni Mubarak no início do ano.

Segundo informou a emissora de televisão estatal, os colégios começaram a fechar após um primeiro dia de votação que deveria ter se iniciado às 8h (4h de Brasília), mas que foi atrasado pela falta de cédulas e urnas em alguns colégios, assim como pela demora de alguns juízes que supervisionam o processo em chegar aos centros.

France Presse
Secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al Arabi, vota nesta segunda-feira na primeira etapa das eleições no Egito
Secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al Arabi, vota nesta segunda-feira na primeira etapa das eleições no Egito

Mais cedo, o presidente da comissão eleitoral do Egito, Abdul Moaez Ibrahim, anunciou a prorrogação dos horários de votação também devido à grande quantidade de eleitores que ainda tentavam chegar às urnas.

A previsão inicial era de manter os colégios abertos ate as 19h (15h de Brasília), mas o horário foi estendido para “dar oportunidade aos eleitores que fazem questão de participar da primeira festa democrática do Egito desde a revolução de janeiro”, disse Ibrahim, segundo a agência oficial Mena.

Em comunicado, o secretário-geral do Partido Liberdade e Justiça (islamita moderado), Saad Katatni, deu as boas-vindas à decisão porque considera que a mesma “permitirá ao povo egípcio votar e participar do processo democrático, que para ser alcançado pagou o preço caro de milhares de mártires e feridos”.

Andre Pain/Efe
Mulher deposita cédula com voto na urna, no Cairo, durante a primeira eleição no Egito após a queda de Mubarak
Mulher deposita cédula com voto na urna, no Cairo, durante a primeira eleição no Egito após a queda de Mubarak

Katatni, cujo partido é o braço político da Irmandade Muçulmana, reiterou o pedido aos eleitores que compareçam as urnas.

Mais de 17 milhões de pessoas estão aptas a votar em nove províncias do país, entre elas Cairo e Alexandria, na primeira das três fases do processo eleitoral para eleger os integrantes da Câmara Baixa e Alta do Parlamento, que se prolongarão até março.

IRREGULARIDADES

Vários partidos políticos do Egito denunciaram nesta segunda-feira casos de compra de votos em todo o país, no primeiro dia das eleições legislativas no país, a primeira desde a queda do ex-ditador Hosni Mubarak.

O diretor de Operações do partido Egípcios Livres, Walid Daudi, informou à agência Efe que sua legenda encontrou “muitíssimas irregularidades”, entre elas “a compra de votos em todas as províncias”.

“Recebemos queixas de pessoas denunciando a compra de votos. Em alguns colégios há gente distribuindo comida e bebida entre os eleitores, e em outros pagam-lhes dinheiro diretamente”, disse Daudi.

Entre outras irregularidades, os Egípcios Livres denunciaram que muitas cédulas não têm o selo oficial da comissão eleitoral e que há cédulas falsas.

Além disso, “há duas ou três escolas que fecharam porque os juízes –encarregados de supervisionar o pleito– disseram que havia muita gente e que os locais de votação não tinham capacidade para que pudessem votar”, acrescentou Daudi.

Associated Press
Após votar, primeiro-ministro egípcio, Kamal el Ganzouri, fala à imprensa em primeiro dia de eleições no Cairo
Após votar, primeiro-ministro egípcio, Kamal el Ganzouri, fala à imprensa em primeiro dia de eleições no Cairo

O Partido Liberdade e Justiça, braço político do movimento islamita da Irmandade Muçulmana e favorito na eleição, denunciou em sua página no Facebook que em Alexandria foi registrado ao menos um caso de compra de votos.

Segundo a agência Efe, um homem no colégio eleitoral Samaya foi visto entregando dinheiro a uma pessoa que acabava de depositar seu voto na urna. A mesma pessoa, de acordo com a agência, abordou outros eleitores que chegavam ao local.

A Junta Eleitoral egípcia já havia reconhecido que nas primeiras horas de votação nesta segunda-feira ocorreram irregularidades, como distribuição de propaganda eleitoral de “alguns partidos” em frente aos locais de votação e o atraso para a abertura de vários colégios eleitorais, o que provocou a formação de longas filas na entrada dos colégios.

O presidente da Comissão Eleitoral, Abdelmoaiz Ibrahim, pediu aos eleitores que se sentirem prejudicados pelas irregularidades constatadas na eleição que apresentem denúncias.

Editoria de arte/Folhapress

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