Eleição para prefeitura de Berlim deve ser mais uma derrota para Merkel

As eleições legislativas e para prefeitura na cidade de Berlim neste domingo encerram o maratonista ano eleitoral da Alemanha, no qual os partidos da coalizão da chanceler, Angela Merkel, colheram praticamente uma derrota após a outra nas sete chamadas às urnas realizadas desde fevereiro.

O péssimo ano eleitoral da chanceler deverá ser encerrado com um novo revés, uma vez que as enquetes preveem de forma unânime um triunfo da oposição social-democrata (SPD) e a reeleição de Klaus Wowereit como prefeito.

As pesquisas indicam que o SPD, liderado por Wowereit, ficará com algo em torno de 32% dos votos, dez pontos percentuais mais que a União Democrata-Cristã (CDU) de Merkel. Os Verdes devem somar 19% dos votos, confirmando a condição de terceira força, à frente da Esquerda, com até 11%.

  Thomas Peter/Reuters  
Eleições legislativas e para a prefeitura da capital alemã devem ser mais uma derrota eleitora para Angela Merkel
Eleições legislativas e para a prefeitura da capital alemã devem ser mais uma derrota eleitora para Angela Merkel

Este cenário terminaria com quase dez anos do governo de coalizão entre SPD e Die Linke (A Esquerda), e abre a perspectiva de uma nova aliança entre social-democratas e Verdes, como as que governam vários outros estados alemães.

A sensação eleitoral no pleito de Berlim correrá por conta da formação rebelde Piratas, integrada por analistas de informática que defendem a liberdade total na rede. Este partido deve chegar a um Parlamento regional alemão pela primeira vez apoiados pelos votos jovens e de protesto.

Os liberais perderam neste ano a representação parlamentar nos Estados de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Renânia-Palatinado, Baden-Württemberg, Brêmen e Alta Saxônia.

A crítica situação do Partido Democrático Liberal (FDP) é a causa, segundo os observadores políticos, da crise aberta no seio da coalizão governamental, além das desavenças entre CDU e FDP em temas como o resgate do euro.

Um amplo setor dos liberais ameaça emperrar a votação no Bundestag (Parlamento federal), no final deste mês, da ampliação do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), com o que a coalizão de Merkel não contaria com uma maioria própria na Câmara.

O esperado apoio ao projeto de lei da oposição social-democrata e verde garante sua aprovação, mas Merkel, que também luta contra a resistência de deputados democratas-cristãos e social-cristãos bávaros, não poderia seguir liderando uma coalizão que não respalda sua política.

A imprensa alemã especula hoje sobre mudanças no gabinete de Merkel após as eleições na capital alemã, com a possível demissão do titular das Relações Exteriores, o liberal Guido Westerwelle, liquidado por seus próprios correligionários, que o consideram o principal culpado pela série de fracassos eleitorais.

DA EFE, EM BERLIM

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