Em MG, criança tem paralisia após tomar vacina contra polio

Uma criança de 1 ano e quatro meses apresentou sintomas de paralisia flácida aguda depois de ter tomado a vacina contra poliemielite, em Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais. Apesar de ter sido diagnosticado em março deste ano, o caso só chegou ao conhecimento do Ministério da Saúde (MS) no último dia 26 de agosto.

A doença foi descoberta por um neuropediatra da cidade, que notificou a Secretaria Municipal de Saúde. De acordo com a pasta, no dia 24 de maio o caso foi informado à Gerência Regional de Saúde (GRS), braço da Secretaria Estadual de Saúde (SES) no município. A SES trata o caso como suspeito e aguarda o resultado de exames complementares.

Segundo a mãe da criança, Sidnéia Branco Teixeira, o menino começou a apresentar os sintomas alguns dias depois de tomar a vacina, em novembro do ano passado. No início, a criança ficou com febre, que perdurou uma semana. Passados 15 dias, as pernas apresentaram sinais de paralisia, mas a mãe achou que podia ser efeito normal da vacina. Como o problema persistiu, ela procurou um pediatra. Sidnéia contou que a caderneta de vacinação da criança está em dia, com todas as doses de vacina recomendadas. O neuropediatra Walter Luiz Magalhães diagnosticou os sintomas da paralisia em março. O tipo de paralisia apresentado, apontou ele, pode ser decorrente do vírus atenuado da poliomielite, presente na vacina.

A Secretaria de Saúde de Pouso Alegre informou que a criança está sendo atendida pela rede municipal desde março. A notificação à GRS só ocorreu em maio porque houve necessidade de aguardar o resultado dos exames. “Toda a assistência, exames, terapias e fisioterapias necessárias para a recuperação do paciente estão sendo prestados gratuitamente, com todo o cuidado e atenção que a situação pede. Informamos ainda que os últimos relatórios apresentaram sensível evolução do quadro clínico da criança”, informou em nota. O diretor de comunicação da prefeitura, Adevanir Vaz, disse que o caso vinha sendo tratado com discrição para não gerar pânico.

Vaz lamentou a declaração do secretário de Vigilância em Saúde do MS, Jarbas Barbosa, de que o município teria demorado em comunicar o episódio ao governo federal. Barbosa disse que que o tempo desde que o garoto foi imunizado era longo demais para que exames laboratoriais confirmem se foi mesmo a vacina que causou a paralisia.

Ele lembrou que a possibilidade de reação à vacina contra a poliomielite é raríssima. Segundo ele, nos últimos dez anos foram confirmados 46 casos de polio pós-vacinal no Brasil, entre mais de 457 milhões de vacinas aplicadas. Comissão do MS vai avaliar se confirma o descarta o caso.

Conforme o ministério, a vacina que o menino tomou e que é administrada nas campanhas nacionais é segura. Apesar disso, o MS anunciou há duas semanas que pretende substituir a Sabin (feita com vírus vivos enfraquecidos) por uma versão injetável, chamada Salk, elaborada com vírus inativados, considerada ainda mais segura.

Do Jornal do Commercio

Sobre o editor

Willames Costa
Wíllames Costa
Editor

Instagram

Parceiros do blog