Em visita ao Mineirão, Dilma encara greve com normalidade

Recepcionada com uma greve geral nas obras do Mineirão, a presidente Dilma Rousseff considerou normal a paralisação. “O Brasil, como um país democrático, tem que enfrentar a greve normalmente. É uma forma de manifestação”, afirmou à Folha.

Bruno Sales
Dilma recebe camisa do Atlético-MG no Mineirão
Dilma recebe camisa do Atlético-MG no Mineirão

Ontem, a paralisação dos operários começou às 6h, quando eles chegavam para trabalhar. Com um carro de som, líderes do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção de BH e Região (Marreta) pediram para os funcionários não entrarem na obra e criticaram a ida de Dilma ao estádio.

Às 10h55, a presidente chegou ao Mineirão, mas entrou no canteiro pelo lado oposto ao dos manifestantes. Eram cerca de 200 trabalhadores parados e, segundo a Polícia Militar, não houve tumulto.

Do lado de fora, os operários repetiam gritos das torcidas de Atlético-MG e Cruzeiro: “O Mineirão é nosso!”.

Do lado de dentro, os funcionários também estavam sem trabalhar. Cerca de 1.300 reconstroem o estádio.

“Acho que é uma greve oportunista, em função do evento [a visita de Dilma]. Só posso entender dessa forma, uma vez que está sendo tudo rigorosamente cumprido como o combinado”, disse Ricardo Barra, presidente do consórcio Minas-Arena.

A empresa recorreu à Justiça, afirmando ser ilegal a greve. Em junho, após paralisação de cinco dias, houve acordo com os operários que aumentou os salários em 4% e gerou outros benefícios, como alimentação e saúde.

“Entramos com um mandado de segurança na Justiça, porque não temos o que fazer agora. Tudo o que devia ser feito já foi feito”, afirmou Barra, que espera que a greve acabe até segunda e que a Justiça a considere ilegal.

O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada, ao qual os operários da arena estão ligados, não apareceu no estádio pelo segundo dia consecutivo.

O presidente do Marreta, sindicato que convocou a paralisação ontem, Osmir Venuto, tachou de “omisso” o sindicato concorrente.

A reivindicação é que oficiais de obra (pedreiros, carpinteiros, ceramistas) ganhem como os de São Paulo (R$ 1.150, contra os atuais R$ 963 pagos na arena) e recebam R$ 160 de cartão alimentação, como é pago no Rio (contra os R$ 60 atuais).

O consórcio Minas-Arena disse não ter recebido nenhuma reivindicação dos funcionários e que desconhece os pedidos do sindicato.

Com a Folha.com

Sobre o editor

Willames Costa
Wíllames Costa
Editor

Instagram

Parceiros do blog