Fabiana Murer diz que vivencia salto com vara 24 horas por dia

Campeã mundial do salto com vara, a brasileira Fabiana Murer, 30, afirma que pensa na prova 24 horas por dia. Isso acontece pelo fato de a saltadora ser casada com seu técnico, Elson Miranda.

“A gente conversa muito sobre isso. Chego em casa e quero ver os vídeos, ver o que eu fiz de errado. Então a gente vive 24 horas salto com vara, e isso não cansa, não”, afirmou ela, em entrevista exclusiva à Folha no sábado, na entrada da Vila dos Atletas de Daegu (Coreia do Sul).

Lee Jin-man/Associated Press
Fabiana Murer com a bandeira brasileira após conquistar a medalha de ouro no Mundial de Daegu
Fabiana Murer com a bandeira brasileira após conquistar a medalha de ouro no Mundial de Daegu

Murer foi a responsável pelo primeiro ouro do Brasil na história do Mundial de atletismo, encerrado no domingo. “É o que gosto de fazer e o que ele gosta também”, declarou, citando o marido, um ex-saltador com vara, cuja melhor marca é 5,02 m, contra 4,85 m de Murer.

Ela conta que o fato também a ajuda bastante nas longas temporadas que fica fora do Brasil, em treinamento ou competindo. Volta a saltar na quinta-feira, na Suíça. “Quando fico tanto tempo fora do país, ajuda o fato de eu ter meu marido do meu lado”.

Murer afirma que não há perigo de levar um problema caseiro para o treino. “Acho que a gente briga mais no treino do que em casa. Quando chega em casa, a gente esquece o que aconteceu no treino e é outra vida”.

Além de técnico e marido, Miranda também desempenha outras funções nas viagens, que no caso de Murer têm logística mais complicada por causa das varas. Ela conta que uma vez teve que dormir em um hotel perto do aeroporto de Manchester.

“Tinha uma van que levava as pessoas do hotel para o aeroporto, em cinco minutos, mas as varas não cabiam”. Miranda teve de levar as varas (cerca de 20 kg) nos ombros até o aeroporto. A saltadora, que constantemente cita as sobrinhas (Letícia, 2, e Beatriz, 5), diz que “às vezes tem, às vezes não” o desejo de ter filhos.

“Eu vejo a minha irmã, sei o trabalho que dá. Sei que muda completamente a vida”. A campeã diz que almeja competir na Olimpíada do Rio-16 e descarta pausa na carreira para ter filhos, como a ucraniana Olha Saladuha.

Após os Jogos Olímpicos de Pequim-08, quando terminou em oitavo lugar no salto triplo, Saladuha decidiu com o marido, o ciclista olímpico ucraniano Denys Kostyuk, que era hora de engravidar.

Saladuha voltou às competições com o título europeu em 2010, e em Daegu conquistou o título com 14,94 m. “Só penso em competir mesmo. A vida de atleta é tão curta e a medicina está tão avançada que é possível competir e só depois ter filhos”.

Fonte: Folha.com

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