FMI vê aumento do risco financeiro para Europa e EUA

O sistema financeiro global enfrenta desafios maiores do que nunca desde a crise financeira de 2008, disse nesta quarta-feira o FMI (Fundo Monetário Internacional).

A crise da dívida europeia está contagiando seus bancos, que, por sua vez, detém títulos da dívida pública e que podem recuar na concessão de créditos para economizar dinheiro, disse a organização.
A economia americana vem sendo contida pelo mercado imobiliário. Muitos proprietários de casa devem mais devido às hipotecas do que o valor da casa pela qual estão pagando. Isso prejudica sua capacidade de gastar e está atrasando o crescimento.

O FMI exortou aos bancos europeus que consigam mais capital para fortalecer suas finanças, sendo que o governo deve fornecer capital, se necessário. Além disso, afirmou que o governo americano deve ajudar os proprietários de casa a reduzir suas dívidas.

“Os riscos são elevados e o tempo está se esgotando para enfrentar as vulnerabilidades que ameaçam o sistema financeiro global e a recuperação econômica em curso”, afirmou o FMI em seu relatório Estabilidade Financeira Global.

A crise na Europa entra em uma nova fase perigosa. Aumentam-se os temores da possibilidade do default grego, o que desestabilizaria outros países europeus endividados, como a Espanha e a Itália. Causando também perdas substanciais em bancos franceses e alemães.

Líderes europeus deveriam implementar rapidamente o acordo feito em julho que providencia maior flexibilidade ao fundo de resgate europeu, disse o FMI.

O acordo permite que o fundo de resgate europeu adquira títulos de países endividados como Grécia e Irlanda, tornando mais fácil a solução da crise da dívida europeia. E assim, grandes bancos europeus, que possuem quantidades consideráveis de títulos da dívida de países com problemas, aumentariam suas reservas de capital. Segundo o FMI, isso protegeria os bancos em caso dos títulos perderem ainda mais valor ou da Grécia decretar a moratória.

No entanto, de acordo com a instituição monetária, se isso não for possível, os governos devem fornecer os fundos.

Os bancos europeus enfrentam perdas potenciais de 200 bilhões de euros devido aos títulos da dívida de governos instáveis. Esse valor sobe para 300 bilhões de se no risco de perda for incluído empréstimos a outros bancos. No entanto, o FMI disse que a quantia não representa a quantidade de capital que os bancos precisam levantar.

EMERGENTES

A volatilidade dos mercados financeiros persistirá e os emergentes enfrentam o risco de bruscas mudanças de tendência, segundo o relatório bianual de Estabilidade Financeira, publicado pelo fundo.

Nos mercados emergentes, a “interrupção repentina da afluência de capitais ou aumento dos custos de financiamento poderão enfraquecer os bancos internos”, disse ainda o documento.

Os bancos dos países emergentes se beneficiaram até agora da entrada em massa de capitais, mas seus fundos poderão sofrer “uma redução de até 6% num cenário drástico no qual confluam vários choque”.

As instituições da América Latina são mais vulneráveis a choques em termos de intercâmbio, enquanto que os da Ásia e as economias emergentes da Europa são mais sensíveis a aumentos dos custos de financiamento, afirmou o fundo.

BRASIL

O Fundo Monetário Internacional alertou para o risco de bolha de crédito no Brasil, e apontou o setor imobiliário como especialmente sensível em seu relatório anual sobre estabilidade financeira global.

Entre uma série de previsões lúgubres para os mercados emergentes, o FMI destaca que o crescimento rápido pode enfraquecer a qualidade dos ativos bancários.

“Alguns mercados emergentes, que incluem o Brasil e a Turquia, a qualidade de crédito parece ser forte na superfície, mas o rápido crescimento do crédito doméstico –especialmente no mercado imobiliário– representam um desafio-chave à estabilidade futura”, diz o relatório.

Embora o fundo tenha, nos últimos meses, chamado a atenção para a possibilidade de superaquecimento nas economias emergentes, inundadas por dólares de investidores temerosos da crise nos países ricos, esta é a primeira vez que o Brasil é citado nominalmente e com a palavra “bolha”, em vez de superaquecimento.

DA ASSOCIATED PRESS

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