Forças sírias voltam a atacar civis, mesmo após anúncio de acordo

Forças de segurança sírias voltaram a disparar contra civis opositoras ao regime nesta quinta-feira, um dia depois de o ditador Bashar Assad afirmar que concordava com proposta da Liga Árabe para retirar militares das ruas e cessar a violência contra manifestantes.

Segundo ativistas de direitos humanos, tanques sírios dispararam contra a cidade Homs, um dos centros das revoltas populares que pedem a saída de Assad há cerca de sete meses.

O OSDH (Observatório Sírio dos Direitos Humanos), com sede em Londres, citou testemunhas que disseram que três pessoas haviam sido mortas na operação na região central do país.

Os três sírios foram mortos nos bairros de Baba Amr e Al Inshaat de Homs, onde se ouviam disparos de metralhadoras, afirma um comunicado da organização.

Essas informações não puderam ser verificadas de forma independente devido às restrições impostas pelo regime sírio aos jornalistas.

O anúncio dessas três vítimas acontece horas depois de as autoridades de Damasco terem firmado perante os países árabes o compromisso de cessar a violência e libertar os detidos durante os protestos contra o regime.

Reuters
Manifestantes opositores ao regime participam de funeral de colegas mortos por repressão síria
Manifestantes opositores ao regime participam de funeral de colegas mortos por repressão síria

De acordo com informe da Liga Árabe, a Síria concordou em retirar sua força militar das cidades e áreas residenciais e libertar prisioneiros como parte de uma iniciativa árabe para encerrar os sete meses de violência no país.

O primeiro-ministro catariano, xeique Hamad bin Jassim al Thani, leu o comunicado dizendo que a Síria havia concordado com os pontos, incluindo a completa suspensão da violência, a soltura de prisioneiros, a retirada da presença militar das cidades e áreas residenciais, além de permitir que a Liga Árabe e a mídia tenham acesso para reportar a situação.

Na terça-feira (1º) a Síria disse ter chegado a um acordo com os representantes da Liga Árabe, mas não deu mais detalhes sobre um “documento final” para controlar a crise político-social que atinge o país.

No domingo (30), uma delegação da Liga, liderada pelo Qatar, reuniu-se em Doha com o ministro sírio de Relações Exteriores, Walid Muallem, para apresentar um plano que prevê o fim “imediato” da violência, a retirada dos tanques das ruas da Síria e um diálogo com a oposição no Cairo.

Os grupos opositores receberam com ceticismo o anúncio e duvidaram do cumprimento das promessas das autoridades sírias.

A ONU afirma que mais de 3.000 pessoas foram mortas durante a repressão às revoltas de opositores na Síria, que já duram sete meses, incluindo centenas de crianças. O regime diz que as ações são contra grupos armados que já mataram mais de 1.100 membros das forças de segurança.

No fim de semana, Assad advertiu que uma eventual intervenção ocidental contra seu regime poderia provocar um “terremoto” em seu país capaz de incendiar a região e gerando um novo Afeganistão, durante entrevista publicada pelo jornal britânico “Sunday Telegraph”.

O ditador disse que será criado “outro Afeganistão” se as forças estrangeiras decidirem intervir na Síria como fizeram na Líbia, em uma revolta que terminou com a morte de Muammar Gaddafi após ele ter ficado 42 anos no poder.

France Presse
Imagem divulgada por agência estatal síria mostra ditador Bashar Assad em entrevista em Damasco
Imagem divulgada por agência estatal síria mostra ditador Bashar Assad em entrevista em Damasco

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Sobre o editor

Willames Costa
Wíllames Costa
Editor

Instagram

Parceiros do blog