Futuro premiê grego defende o euro; UE pede esforço contra crise

O recém-nomeado premiê da Grécia, Lucas Papademos, disse nesta quinta-feira que a permanência do país na zona do euro garante a estabilidade monetária e deverá facilitar o processo de ajuste econômico. Em contrapartida, a União Europeia (UE) pediu ao novo governo “firme compromisso” e “esforço máximo” contra a crise.

Ex-vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Papademos deve assumir o comando do país nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira (11).

“Estou convencido de que a participação do país na zona do euro é uma garantia para a estabilidade monetária. Todos nós devemos ser otimistas sobre o resultado final [do processo de ajuste econômico], contanto que estejamos unidos”, acrescentou.

Aris Messinis/France Presse
Futuro premiê da Grécia, Lucas Papademos, fala com a imprensa ao deixar o palácio presidencial, em Atenas

O futuro primeiro-ministro afirmou ainda que não há uma data oficial para as eleições antecipadas no ano que vem, e que um acordo anunciado dias atrás, com 19 de fevereiro como a data para o pleito, serve apenas de referência.

Mais cedo, Papademos já havia dito que o país encontra-se numa “encruzilhada crucial”.

“A economia grega está enfrentando enormes problemas apesar dos esforços realizados”, disse ele em suas primeiras declarações públicas depois de ser nomeado como próximo premiê.

“As escolhas que nós faremos serão decisivas para o povo grego. O caminho não será fácil, mas eu estou convencido de que os problemas serão resolvidos mais rápido e a um custo menor se houver união, compreensão e prudência.”

“ESFORÇO MÁXIMO”

Bruxelas pediu nesta quinta-feira “uma mensagem de firme compromisso” de que o novo governo fará o necessário para deixar a crise para trás e o enorme endividamento de seu país.

O presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, e o da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, indicaram em comunicado que a saída para a Grécia deve ser baseada na consolidação fiscal e as reformas estruturais “para impulsionar o potencial de crescimento grego e criar urgentemente os empregos necessários”.

“A UE não deixará de fazer todo o possível para ajudar à Grécia”, ressalta em mensagem dos líderes comunitários, que adverte o fato de o país “fazer todo o possível para ajudar-se a si mesmo”.

Os líderes comunitários destacam que, apesar do próximo governo ter caráter transitório, sua carga de trabalho será intensa, porque cabe a ele “concluir rapidamente o segundo plano de ajuda à Grécia como foi pedido na cúpula do dia 27 de outubro” da zona do euro.

Outra tarefa importante “que deve tornar-se realidade no início de 2012” é a troca voluntária de bônus de dívida grega com investidores do setor privado.

Van Rompuy e Barroso expressaram sua satisfação pelo fato de que o presidente da República da Grécia, Karolos Papoulias, encarregasse nesta quinta Papademos da formação de um novo governo de união nacional, já que “um consenso político amplo é necessário para sair do buraco econômico”.

NOMEAÇÃO

O ex-vice-presidente do BCE (Banco Central Europeu), Lucas Papademos, 64, foi nomeado nesta quinta-feira primeiro-ministro do governo interino de coalizão na Grécia.

O novo governo tomará posse na sexta-feira (11) e deverá conduzir o país até a realização de eleições antecipadas.

Nesse período, Papademos deverá aplicar o acordo firmado por líderes da zona do euro para o resgate da Grécia. O plano inclui um novo aporte financeiro ao país no valor de € 130 bilhões e a redução em 50% da dívida do país, além de exigir medidas de austeridade e reformas estruturais.

A confirmação do ex-vice-presidente do BCE estava complicada, já que o banqueiro queria liderar um governo de maior duração e a participação de políticos de ambos partidos no conselho de ministros. Mais detalhes sobre o assunto ainda não foram divulgados.

Papademos ficaria no poder até o dia 19 de fevereiro de 2012, data para qual foram agendadas eleições antecipadas na Grécia. O comunicado presidencial desta quinta-feira não fez menção a uma data para as eleições.

Arte/Folhapress


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