Grécia acelera planos de referendo e pressiona União Europeia

A Grécia está acelerando os planos para realizar um referendo sobre o plano europeu de resgate financeiro ao país e criou nesta quarta-feira uma comissão para preparar a consulta à população, segundo anunciou o ministro do Interior, Haris Kastanidis.

O governo do premiê George Papandreou se mostra disposto a realizar a consulta o mais cedo possível, o que redobra a tensão entre Bruxelas e Atenas, ao mesmo tempo em que aumenta a pressão para que a UE (União Europeia) dê detalhes sobre os novos ajustes fiscais que espera da Grécia.

O gabinete grego, reunido em sessão extraordinária na madrugada desta quarta-feira, aprovou por “unanimidade” o projeto de referendo sobre o plano de resgate, anunciado na segunda-feira por Papandreou.

Segundo o porta-voz do governo, Elias Mossialos, o gabinete também aprovou a decisão de Papandreou de submeter o governo ao voto de confiança do Parlamento, na próxima sexta-feira.

Kastanidis afirmou que, caso os trabalhos da comissão pelo referendo avançarem como preveem, não está descartada a possibilidade de que a consulta seja realizada antes que se concluam os detalhes do empréstimo de 130 bilhões de euros por parte da zona do euro à Grécia até 2014 e do perdão de 50% de sua dívida com credores privados.

  France Presse  
O primeiro-ministro grego, George Papandreou, durante pronunciamento à população por rede de TV nacional
O primeiro-ministro grego, George Papandreou, durante pronunciamento à população por rede de TV nacional

Com isso, o referendo poderia acontecer ainda este ano, no mês de dezembro, sem que o governo tenha que esperar até janeiro, como estava previsto anteriormente. A comissão criada durante reunião de emergência do conselho de ministros grego vai examinar também a data da consulta popular e a pergunta a ser feita à população.

O ministro do Interior disse que a pergunta deve ser algo semelhante a “aceita ou não o acordo” do resgate europeu de 130 bilhões de euros, já estando descartada a possibilidade de se questionar sobre a permanência do país na zona do euro.

PREMIÊ

Papandreu disse na terça-feira que os parceiros da Grécia devem apoiar as políticas do país e exortou a reunião do G20 nesta semana em Cannes, no sul da França, a “garantir que a democracia esteja acima dos apetites do mercado”.

O anúncio do premiê, de que vai submeter o pacote de resgate a um referendo popular, ameaçou intensificar a crise da zona do euro, gerou críticas de líderes europeus, derrubou as principais bolsas e levou a oposição pedir a saída de Papandreu.

Os líderes da zona do euro concordaram na semana passada em conceder a Atenas um segundo pacote, de 130 bilhões de euros, e um corte de 50% em sua dívida. Em contrapartida, a Grécia deve se comprometer em continuar com uma política de cortes de gastos como privatizações, redução de empregos públicos e cortes salariais.

Papandreou disse que precisava de maior apoio político para as medidas fiscais e as reformas estruturais exigidas pelos credores internacionais. “A vontade do povo grego será imposta”, disse o premiê ante o grupo de parlamentares socialistas, ao anunciar que submeteria o pacote a um referendo popular.

Segundo uma pesquisa feita no sábado pela empresa Kappa em Atenas, 60% dos entrevistados é contra o acordo fechado em Bruxelas com os parceiros europeus da Grécia.

RESPOSTAS

O anúncio sobre o plebiscito despertou críticas de chefes de Estado europeus, especialmente da Alemanha, que acredita que Atenas esteja tentando se esquivar do acordo.

Um líder da coalizão da chanceler alemã, Angela Merkel, disse estar “irritado” com o anúncio de Papandreou. “Isso soa como alguém que está tentando se esquivar do que foi acordado –uma coisa estranha a se fazer”, disse Rainer Bruederle, líder parlamentar do Partido Liberal Democrata.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, convocou para esta tarde uma reunião interministerial sobre a decisão do governo grego de condicionar a um referendo a aplicação do plano de resgate.

Em seguida, Sarkozy teve uma conversa telefônica com a chanceler alemã, Angela Merkel. Após o telefonema, eles divulgaram uma nota em que afirmam que a aplicação do acordo alcançado na última cúpula da zona do euro com relação ao resgate financeiro da Grécia “é mais necessário do que nunca”.

“França e Alemanha estão convencidos de que o plano vai permitir à Grécia readquirir um crescimento sustentável”, indicaram os dois governantes ao se referirem ao mencionado plano estipulado pela zona do euro para a Grécia.

O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, criticou o referendo anunciado por Atenas e afirmou que se a iniciativa for recusada, será um caos. “Se for aprovado (o acordo), poderá ser um sinal positivo para as pessoas. Se fracassar (e a iniciativa for rejeitada), será um caos”, disse.

Os presidentes da União Europeia, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, afirmaram que têm “total confiança” de que a Grécia cumprirá os compromissos com a zona do euro, apesar do anúncio sobre o referendo.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Sobre o editor

Willames Costa
Wíllames Costa
Editor

Instagram

Parceiros do blog