Habitantes de região da Patagônia protestam contra governo no Chile

O habitantes da região de Aysén, no extremo sul do Chile, protestaram nesta quinta-feira por 15 horas contra o isolamento em relação ao resto do país, um dos maiores atos de uma onda de manifestações que já dura um mês.

Na cidade de Puerto Aysén, cerca de 3.000 manifestantes colocaram fogo em dois carros dos Carabineiros (equivalente à polícia militar no Brasil) que continham os protestos e em um avião da instituição que, de acordo com os agentes, faria o transporte de uma criança doente para Puerto Montt, também no sul do país.

Os atos acontecem após um mês de negociações com o governo central chileno para diminuir o isolamento da região, que possui 105 mil habitantes e fica a 1.670 km de Santiago. A única conexão terrestre da capital Coyhaique com Santiago é feita por território argentino, através de San Carlos de Bariloche.

Os moradores locais vivem da pesca, da criação de gado e do turismo e reclamam da falta de combustível, especialmente gás para aquecimento, e de integração com o resto do território chileno, reivindicações similares às da região de Magallanes, que também passou por uma onda de protestos em fevereiro de 2011.

Efe
Ônibus dos Carabineiros foi incendiado na cidade de Puerto Aysén, no Chile, após protestos contra isolamento
Ônibus dos Carabineiros foi incendiado na cidade de Puerto Aysén, no Chile, após protestos contra isolamento

LEI DE SEGURANÇA

Após as ações, o governo chileno decidiu aplicar a Lei de Segurança do Estado nas cidades de Coyhaique e Puerto Aysén em virtude do incidente, afirmou o porta-voz do palácio de La Moneda, Andrés Chadwick.

“Estas situações são inaceitáveis e constituem violência grave, que altera por completo a paz social e a tranquilidade na região”, disse.

Promulgada pelo ditador Augusto Pinochet em 1975, a Lei de Segurança do Estado refere-se a diversos aspectos da segurança interior e exterior do país, mas também rege pela ordem pública em situações como queima de ônibus, instalação de barricadas e interrupções no trânsito.

Os presos por envolvimento em protestos podem pegar de 541 dias a cinco anos de prisão. As medidas não foram levantadas após a volta de democracia, em 1990, e foram aplicadas no país 14 vezes desde então, sendo a última após a queima de um ônibus em Santiago, em outubro de 2011, em meio às reivindicações dos estudantes universitários.

Efe
Agentes de segurança tentam conter protesto de 3.000 pessoas contra o isolamento da região do Aysén
Agentes de segurança tentam conter protesto de 3.000 pessoas contra o isolamento da região do Aysén

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

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