Hillary Clinton lança advertência sobre presença taleban no Paquistão

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, lançou nesta sexta-feira uma séria advertência ao Paquistão sobre a presença de facções talebans, como a rede Haqqani, em seu território, mas disse respeitar a soberania do país asiático.

“Você não pode ter cobras em seu quintal e esperar que só mordam seus vizinhos”, disse Hillary em entrevista coletiva em Islamabad, em alusão às organizações fundamentalistas que buscam abrigo no Paquistão e que atuam nos dois lados da fronteira desse país com o Afeganistão.

A secretária de Estado também quis responder ao chefe do Exército paquistanês, Ashfaq Parvez Kayani, que advertira os Estados Unidos sobre uma eventual operação antitaleban em seu território, já que o “Paquistão não é Iraque nem Afeganistão, e sim um país soberano”.

Kevin Lamarque/Associated Press
Secretária de Estado americana, Hillary Clinton, discursa durante visita ao Paquistão
Secretária de Estado americana, Hillary Clinton, discursa durante visita ao Paquistão

Kayani declarou que os EUA “devem pensar dez vezes” antes de lançarem uma ofensiva unilateral sobre a região tribal do Waziristão do Norte, reduto da rede Haqqani no Paquistão.

Hillary disse que tinha discutido com as autoridades paquistanesas a maneira de “espremer” essa facção dos dois lados da fronteira.

“Nós estamos aumentando a pressão sobre os talebans do outro lado da fronteira e queremos que o Paquistão dê passos para negar refúgio aos talibãs e fazê-los negociar”, resumiu a secretária de Estado.

RELAÇÕES

Hillary e outros funcionários dos Estados Unidos já haviam feito ontem um duro alerta ao país para que rompa seus supostos vínculos com grupos militantes, um assunto que tem perturbado as complexas relações entre os dois aliados.

Ela comandou uma delegação de alto escalão que foi a Islamabad pressionar o governo local por conta das acusações surgidas nos EUA de que o Paquistão estaria dando ajuda a militantes que realizam ataques em ambos os lados da fronteira afegã-paquistanesa, ameaçando cada vez mais os interesses norte-americanos.

S.S. Mirza/France Presse
Paquistaneses protestam contra presença de Hillary Clinton e queimam imagem da americana
Paquistaneses protestam contra presença de Hillary Clinton e queimam imagem da americana

Em entrevista coletiva, Hillary e a ministra das Relações Exteriores do Paquistão, Hina Rabbani Khar, reconheceram que as relações entre seus países não passam por seu melhor momento.

As relações entre Washington e Islamabad mantêm um alto nível de tensão desde maio, quando um comando militar americano matou o líder da rede terrorista Al Qaeda, Osama bin Laden, ao norte da capital paquistanesa.

Autoridades americanas e afegãs acusam elementos de dentro do Paquistão de colaborarem com militantes no ataque de setembro à embaixada dos EUA em Cabul e no assassinato do negociador de paz afegão Barnahuddin Rabbani.

O Paquistão nega as acusações e diz que Washington está menosprezando seus esforços no combate à militância. Islamabad alerta que as contínuas “mensagens negativas” por parte dos EUA têm abalado o apoio da população paquistanesa ao envolvimento no conflito.

O desenlace da guerra afegã acentuou a discórdia entre os EUA, que querem uma saída honrosa de suas tropas no Afeganistão, e o Paquistão, com históricos interesses geoestratégicos no território do país vizinho.

DA EFE
DA REUTERS

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