Imprensa síria acusa Arábia Saudita e Qatar de envolvimento em atentados

A imprensa síria acusou neste domingo a Arábia Saudita e o Qatar de serem os responsáveis pelo duplo atentado a dois edifícios de segurança da Síria na capital Damasco, que deixou 27 mortos e 140 feridos. Os dois países pediram à comunidade internacional armar a oposição ao regime do ditador Bashar al Assad.

O jornal oficial “As Saura” chamou o rei saudita, Abdullah bin Abdul Aziz al Saud, e o emir qatariano, Hamad bin Khalifa Al Thani, de envolvimento com o terrorismo.

“Esses atentados procuram castigar o povo sírio por sua posição patriótica, perturbar a missão de [o enviado da ONU e da Liga Árabe à Síria, Kofi] Annan e impedir que se encontre uma saída política à crise”, afirma editorial da publicação.

A agência oficial de notícias Sana afirmou que dois carros bomba explodiram por volta das 7h40 (2h40 em Brasília) de sábado, em frente aos prédios da Segurança Criminal e o serviço de inteligência sírio. O ato foi considerado terrorista pelo governo de Assad.

France Presse
Carros destruídos após atentado a prédios de segurança no regime sírio, em Damasco, neste sábado
Carros destruídos após atentado a prédios de segurança no regime sírio, em Damasco, neste sábado

Na noite de sábado, dois terroristas morreram após o carro bomba que dirigiam explodir no campo de refugiados palestinos de Yarmuk, na periferia de Damasco, capital da Síria, afirmou a agência oficial de notícias Sana.

A explosão provocou apenas danos a prédios e carros estacionados na região. Nenhum dos refugiados ficou ferido.

MISSÃO HUMANITÁRIA

A ONU deve participar neste fim de semana, pela primeira vez, de uma missão humanitária na Síria, “realizada pelo governo”, segundo a responsável pelas operações humanitárias das Nações Unidas, Valerie Amos.

A agência da ONU para a alimentação e agricultura (FAO) alertou para a segurança alimentar na Síria, particularmente para 1,4 milhão de pessoas.

A ONU estima que mais de 30 mil sírios se refugiaram em países vizinhos e cerca de 200 mil no interior do país.

O CRI (Comitê Internacional de Resgate) irá distribuir roupas e produtos de higiene para milhares de sírios refugiados na Jordânia.

O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, informou que Moscou iria utilizar todos os seus contatos com o regime para que ele coopere plenamente com Annan.

“Os outros membros do Conselho de Segurança devem ainda fazer seu trabalho e exigir que a oposição não provoque uma escalada da situação”, ressaltou.

DA FRANCE PRESSE, EM DAMASCO

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