Irã nega ter tentado matar embaixador saudita nos Estados Unidos

Um conselheiro do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, rejeitou nesta terça-feira a acusação dos Estados Unidos de envolvimento do Irã em um plano para assassinar o embaixador saudita em Washington.

“É um cenário planejado para desviar a atenção da opinião pública americana dos problemas internos dos Estados Unidos”, afirmou Ali Akbar Javanfekr, conselheiro de imprensa de Ahmadinejad.

Paul J. Richards/France Presse – 18.jun.2004
Imagem de arquivo mostra o embaixador saudita Adel al Jubeir, suposto alvo do complô terrorista desbaratado
Imagem de arquivo mostra o embaixador saudita Adel al Jubeir, suposto alvo do complô terrorista desbaratado

“O governo americano e a CIA têm uma ampla experiência em desviar a atenção da opinião pública. Agora, temos que esperar para saber os detalhes desse cenário planejado, para descobrir os objetivos do governo americano”, acrescentou Javanfekr.

O procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder, acusou nesta terça-feira dois iranianos de terem tentado assassinar o embaixador saudita nos Estados Unidos, em um “complô concebido, financiado e dirigido a partir do Irã”.

Mansor Arbabsiar, iraniano de 56 anos naturalizado americano, foi preso em 29 de setembro, ao voltar do México, após ter se encontrado diversas vezes com um agente americano disfarçado que se fez passar por narcotraficante, de acordo com Holder. Outro iraniano, Gholam Shakuri, membro do grupo de elite militar Al Qods, com base no Irã, está foragido.

Em julho e agosto desse ano, ele teria entrado em contato com um agente inflitrado da agência antidrogas americana (DEA) que estava no México e pagado US$ 100 mil a ele para que matasse o embaixador. Holder disse ainda, durante a coletiva, que o informante se fez passar por membro de um cartel de narcotraficantes mexicano, dizendo que poderia perpetrar o atentado por um preço de US$ 1,5 milhão.

Os dois são acusados de orquestrar atacar as embaixadas da Arábia Saudita e de Israel em Washington, informou Holder.

O presidente americano, Barack Obama, estaria ciente do plano terrorista desde junho.

Também hoje, a secretária de Estado americana, Hillary Rodham Clinton, disse que os Estados Unidos se preparam para adotar novas sanções contra o Irã após a descoberta de um plano terrorista de Teerã que supostamente visaria matar o embaixador saudita em Washington.

Segundo ela, o plano que foi desbaratado deve “isolar ainda mais” o Irã da comunidade internacional.

A Casa Branca elogiou a ação que frustrou o plano de ataques contra as embaixadas da Arábia Saudita e Israel em Washington, e disse que o presidente americano, Barack Obama, ordenou há alguns meses “cooperação total” com as investigações.

DOCUMENTOS

Documentos judiciais registrados em uma corte federal de Nova York apontam que dois homens –identificados como Manssor Arbabsiar e Gholam Shakuri– foram indiciados por planejar uma ação terrorista e por conspirar para utiliizar armas de destruição em massa.

Holder disse ainda que mais ações serão tomadas “em breve” para que o Irã seja responsabilizado pelo plano de ataques.

Mark Wilson/France Presse/Getty Images – 4.mai.2011
Procurador-geral dos EUA, Eric Holder, forneceu detalhes sobre o complô desbaratado pelo governo americano
Procurador-geral dos EUA, Eric Holder, forneceu detalhes sobre o complô desbaratado pelo governo americano

Arbabsiar — que seria naturalizado americano e teria dupla cidadania– foi preso no final de setembro no aeroporto internacional John F. Kennedy, em Nova York. Shakuri — identificado como membro da unidade Quds, forças especiais da Guarda Revolucionária Iraniana– continua a ser procurado pelas autoridades americanas.

Segundo os documentos oficiais, Shakuri manteve uma conversa telefônica com Arbabsiar na qual aprovava o plano para matar Al Jubeir.

DA FRANCE PRESSE, EM TEERÃ
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

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