Irmandade Muçulmana está à frente no Egito, palco de mais distúrbios

Dados preliminares da apuração das urnas no Egito mostraram nesta quarta-feira que a Irmandade Muçulmana obteve cerca de 40% dos votos na primeira rodada das eleições parlamentares realizada na segunda e terça-feira, sendo o mais votado de todos os partidos.

A votação na eleição do Egito está sendo realizada em três fases, num período de três semanas. Do total de 498 cadeiras da câmara baixa do Parlamento, dois terços serão distribuídas pelos partidos a uma lista de seus membros e o restante irá para candidatos votados individualmente.

Resultados oficiais deverão ser divulgados no final do dia.

As eleições dos deputados da Assembleia do Povo devem terminar em 11 de janeiro e a da Shura (Câmara Alta consultiva), em 11 de março.

Editoria de arte/Folhapress

Analistas avaliam que a Irmandade Muçulmana do Partido Liberdade e Justiça (PLJ) serão, ao final das eleições, a primeira força política do Egito, em sintonia com a Tunísia e o Marrocos, onde as eleições consagraram vencedores partidos islamitas.

DISTÚRBIOS

Apesar da calmaria com que as eleições transcorreram, na terça-feira à noite a praça Tahrir, no Cairo, voltou a ser palco de distúrbios. Segundo o porta-voz do Ministério da Saúde do Egito, Mohammed Sherbini, ao menos 108 pessoas ficaram feridas.

Policiais afirmaram que os confrontos começaram quando manifestantes expulsaram, sem motivo aparente, os vendedores ambulantes na praça, cujo número aumentou muito nos últimos dias.

Ahmed Jadallah-29.nov.11/Reuters
Funcionários eleitorais realizam a contagem dos votos para parlamentares no Cairo, no Egito
Funcionários eleitorais realizam a contagem dos votos para parlamentares no Cairo, no Egito

Testemunhas citadas pela agência de notícias estatal “Mena” disseram que os choques foram motivados pela recusa de alguns vendedores a mostrar suas carteiras de identidade quando os manifestantes os exigiam para garantir que não houvesse pistoleiros ou criminosos infiltrados entre eles.

Em sinal de protesto, os vendedores começaram a lançar pedras e garrafas contra os manifestantes.

IMPASSE

Desde o último dia 19, a praça Tahrir é palco de protestos que exigem a saída imediata da Junta Militar do poder, reivindicação alinhada aos princípios da revolução que derrubou o regime de Hosni Mubarak em 11 de fevereiro deste ano.

Na semana passada, nos arredores da praça e do Ministério do Interior, houve duros enfrentamentos entre a polícia e os manifestantes, o que deixou 42 mortos e milhares de feridos.

Odd Andersen/France Presse
Soldados egípcios tentam garantir a segurança durante segundo dia de eleições parlamentares
Soldados egípcios tentam garantir a segurança durante segundo dia de eleições parlamentares

As eleições parlamentares acontecem no Egito após vários dias de protestos pelas ruas pedindo a saída da Junta Militar, que governa o país desde a queda de Mubarak, do poder.

Mubarak foi deposto em fevereiro deste ano, após semanas de revoltas populares que tinham como principal localidade a praça Tahrir. Atualmente, ele é julgado pela repressão de suas forças de segurança aos protestos no começo do ano.

Há semanas, manifestantes retornaram ao local e prometeram que não sairiam enquanto o conselho militar transferisse o poder para um conselho presidencial civil. Também exigem que os responsáveis pelas mortes durante os confrontos dos últimos dias sejam julgados.

Os manifestantes voltaram às ruas do Cairo e de outras cidades, depois de o governo provisório divulgar um anteprojeto constitucional que blindaria as Forças Armadas de qualquer supervisão civil, o que, segundo eles, concentraria o poder.

Tentando acalmar a situação, a junta militar demitiu o primeiro-ministro Essam Sharaf e prometeu antecipar em seis meses a eleição presidencial, inicialmente programada para o final de 2012. Na sexta-feira (25), Kamal Ganzouri, ex-primeiro-ministro de Mubarak, foi nomeado premiê para comandar um gabinete de salvação nacional.

Mas a troca de primeiro-ministro não acalmou os manifestantes, que ao longo da última semana entraram em confronto com a tropa de choque da polícia em diversas ocasiões, apesar de diversas tréguas temporárias.

Arte Folha/Arte Folha
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