Jackie Kennedy não gostava de De Gaulle, Indira Gandhi e Luther King

Jacqueline Kennedy não gostava do general Charles de Gaulle, a quem considerava “desagradável”, nem dos franceses, por achá-los pessoas egoístas, segundo suas confissões gravadas em 1964 e que foram reveladas num programa exibido na TV americana na noite de terça-feira.

“De Gaulle era meu herói quando me casei”, declarou Jacqueline Kennedy ao historiador Arthur Schlesinger. “Mas, na verdade, ele era muito desagradável”, acrescentou, ao recordar a viagem que fez à França em maio de 1961 com John F. Kennedy, que havia assumido a presidência quatro meses antes.

Jacqueline Kennedy, que falava muito bem o francês por ter estudado um ano na Sorbonne quando tinha 20 anos, também não tinha um bom conceito dos franceses em geral. “Detesto os franceses (…) Eles não são gentis, só pensam em si mesmos”, declarou.

Os trechos de sua entrevista, mantida em segredo durante 47 anos, foram divulgados pelo canal ABC.
Schlesinger gravou mais de oito horas de conversas com Jackie Kennedy quatro meses depois do assassinato de seu marido, em novembro de 1963, em Dallas. Ela tinha então 34 anos.

Jackie disse ainda que Indira Ghandi, então futura primeira-ministra da Índia, era uma mulher “amarga, arrivista e horrível”, e também não escondeu suas dúvidas sobre Marthin Luther King. Ela teria dito a seu marido que considerava o líder dos direitos civis negros uma pessoa “falsa”.

Ela também revelou que Kennedy estava preocupado com o país caso seu vice-presidente, Lyndon Johnson, viesse a sucedê-lo. A viúva do presidente disse que tanto seu marido, como seu cunhado, Robert Kennedy, haviam comentado a questão.

“Ele não gostava da ideia de que Lyndon fosse presidente porque estava preocupado com o país”, disse.

Em outros trechos da entrevista, Jackie comentou que Kennedy chegou a brincar sobre seu próprio assassinato depois da crise dos mísseis cubanos.

A viúva recordou que seu marido perguntou uma vez ao historiador David Donald se Abraham Lincoln teria sido considerado um grande presidente se não tivesse sido assassinado. Donald respondeu que provavelmente não porque, com a Guerra Civil, Lincoln teria que lidar com “o problema insolúvel” de reconstruir o sul devastado pelos combates.

“Ele disse: ‘bom, se alguém for atirar em mim, esse seria o dia em que deveriam fazer isso'”, contou Jackie.

DA FRANCE PRESSE

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