Kassab recontrata servidor que usou cargo para criar PSD

 

André Vicente -27.ago.2011/Folhapress

Folhaleaks

O prefeito Gilberto Kassab reconduziu a um cargo de chefia servidor que foi exonerado após usar a Subprefeitura da Freguesia do Ó (zona norte da capital) para coletar assinaturas de apoio à criação do PSD, em junho.

Então chefe de gabinete do subprefeito da Freguesia, Roberto Rodrigues saiu da administração municipal depois que entregou a um repórter da Folha uma ficha de apoiamento à fundação do partido do prefeito.

Na ocasião, Kassab trabalhava para conseguir cerca de 490 mil assinaturas de eleitores favoráveis à criação do PSD para cumprir exigência da Justiça Eleitoral e fundar seu partido.

Após receber a ficha das mãos de Rodrigues, o repórter assinou o documento dentro do gabinete do subprefeito, que estava no órgão.

O servidor foi exonerado “a pedido” após a reportagem informar o fato à prefeitura.

Na ocasião, o prefeito condenou a atitude do funcionário. “É inadmissível que nós tenhamos uma vinculação das atividades públicas com o partido”, disse.

Rodrigues foi recontratado no último dia 4. Chefiará o gabinete do subprefeito do Ipiranga. A reportagem tomou conhecimento da nomeação pelo Folhaleaks, canal criado pela Folha para receber informações e documentos.

INVESTIGAÇÃO

Procurada, a Coordenadoria das Subprefeituras informou que a Corregedoria-Geral do município investigou o caso e não viu indícios de uso da máquina pública.

“Como as apurações da corregedoria não identificaram uso partidário da máquina pública, (…) ele foi reconduzido”, justificou o órgão. “O funcionário sempre primou pela competência no desempenho das funções que lhe foram confiadas.”

A apuração da prefeitura começou em junho e foi arquivada dois meses depois.

No relatório que determinou o fim da investigação, a corregedoria alega que “a existência de uma lista de apoio ao partido no gabinete de uma subprefeitura não caracteriza, por si só, o uso do órgão para fins partidários”.

A corregedoria não ouviu Roberto Rodrigues nem o repórter da Folha que flagrou a coleta de assinaturas na subprefeitura. Não havia “uma lista”, mas um bloco com dezenas de fichas para serem preenchidas.

A reportagem questionou a Coordenadoria das Subprefeituras sobre os métodos de investigação da corregedoria, mas a nota enviada pela assessoria não respondeu a esta pergunta.

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aprovou a criação do PSD em setembro.

Com a Folha.com

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