Líderes da UE pressionam Grécia para manter acordo contra crise

O primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, enfrenta nesta quarta-feira grande pressão dos líderes da Alemanha e da França após ter conquistado o apoio de seu gabinete para realizar um referendo sobre o plano europeu de resgate financeiro ao país.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, a chanceler alemã, Angela Merkel, e os presidentes do Conselho Europeu e da Comissão Europeia, Herman Van Rompuy e José Manuel Durão Barroso, convocaram Papandreou nesta quarta-feira em Cannes para que ele explique sua nova postura frente ao acordo da última semana em Bruxelas.

No encontro, Papandreou deve ser pressionado para aplicar rapidamente as medidas para combater a crise, o que Atenas tem posto em questão.

“Acertamos um programa com a Grécia na semana passada. Queremos implementar este programa e precisamos de mais clareza. Para isso deve servir a reunião desta noite”, disse Merkel, numa conferência de imprensa.

A Grécia está acelerando os planos para realizar um referendo sobre o plano de resgate europeu e criou nesta quarta-feira uma comissão para preparar a consulta à população, segundo anunciou o ministro do Interior, Haris Kastanidis.

O governo grego se mostra disposto a realizar a consulta o mais cedo possível, o que redobra a tensão entre Bruxelas e Atenas, ao mesmo tempo em que aumenta a pressão para que a UE (União Europeia) dê detalhes sobre os novos ajustes fiscais que espera da Grécia.

  Johannes Eisele/France Press  
Chanceler alemã, Angela Merkel, ao lado do presidente francês, Nicolas Sarkozy, em outubro
Chanceler alemã, Angela Merkel, ao lado do presidente francês, Nicolas Sarkozy, em outubro

“Este anúncio pegou a Europa inteira de surpresa”, disse Sarkozy na escadaria do Elysee Palace, em Paris. “O plano é a única maneira de resolver o problema da dívida da Grécia.”

Segundo o jornal francês “Le Monde”, citando fontes da presidência do país, a França está ameaçando bloquear o sexto lance de ajuda internacional à Grécia, cerca de 8 bilhões de euros, caso os gregos não demonstrarem um claro compromisso com o euro e o plano de resgate adotado na última semana pela UE.

Em função do impasse, o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, afirmou esperar que a Grécia acabe com as dúvidas “o mais rápido possível sobre o caminho que deseja tomar”.

“O plano decidido na semana passada em Bruxelas contém elementos chaves para um segundo plano de ajuda à Grécia. Nós pensamos que a Grécia tem consciência de suas responsabilidades e que se ajustará às decisões adotadas de forma conjunta e de maneira unânime”, disse ao jornal “Hamburger Abendblatt”.

O ministro alemão das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, enfatizou que as negociações sobre o plano europeu para salvar a Grécia da falência não podem ser reabertas. “O programa integral que acordamos na semana passada não pode ser colocado novamente sobre a mesa”, afirmou.

REFERENDO

Papandreu disse na terça-feira que os parceiros da Grécia devem apoiar as políticas do país e exortou a reunião do G20 nesta semana em Cannes, no sul da França, a “garantir que a democracia esteja acima dos apetites do mercado”.

  France Presse  
O primeiro-ministro grego, George Papandreou, durante pronunciamento à população por rede de TV nacional
O primeiro-ministro grego, George Papandreou, durante pronunciamento à população por rede de TV nacional

O anúncio do premiê, de que vai submeter o pacote de resgate a um referendo popular, ameaçou intensificar a crise da zona do euro, gerou críticas de líderes europeus, derrubou as principais bolsas e levou a oposição pedir a saída de Papandreu.

Kastanidis afirmou que, caso os trabalhos da comissão pelo referendo avançarem como preveem, não está descartada a possibilidade de que a consulta seja realizada antes que se concluam os detalhes do empréstimo de 130 bilhões de euros por parte da zona do euro à Grécia até 2014 e do perdão de 50% de sua dívida com credores privados.

Com isso, o referendo poderia acontecer ainda este ano, no mês de dezembro, sem que o governo tenha que esperar até janeiro, como estava previsto anteriormente.

A comissão criada durante reunião de emergência do conselho de ministros grego vai examinar também a data da consulta popular e a pergunta a ser feita à população.

Os líderes da zona do euro concordaram na semana passada em conceder a Atenas um segundo pacote, de 130 bilhões de euros, e um corte de 50% em sua dívida. Em contrapartida, a Grécia deve se comprometer em continuar com uma política de cortes de gastos como privatizações, redução de empregos públicos e cortes salariais.

Papandreou disse que precisava de maior apoio político para as medidas fiscais e as reformas estruturais exigidas pelos credores internacionais. “A vontade do povo grego será imposta”, disse o premiê ante o grupo de parlamentares socialistas, ao anunciar que submeteria o pacote a um referendo popular.

Segundo uma pesquisa feita no sábado pela empresa Kappa em Atenas, 60% dos entrevistados é contra o acordo fechado em Bruxelas com os parceiros europeus da Grécia.

OPOSIÇÃO

Alguns membros do partido de Papandreou pediram que ele deixe o cargo, acusando-o de pôr em perigo a participação da Grécia na zona do euro com sua decisão surpresa de convocar um referendo, em uma atitude que derrubou o euro e os mercados globais.

“O referendo será uma mensagem clara para dentro e para fora da Grécia sobre nossa história europeia e participação na zona do euro”, disse Papandreou em uma reunião de gabinete que durou sete horas. “Ninguém será capaz de duvidar sobre a continuidade da Grécia na zona do euro.”

Segundo o porta-voz do governo, Elias Mossialos, o gabinete aprovou a decisão de Papandreou de submeter o governo ao voto de confiança do Parlamento, na próxima sexta-feira.

Mesmo se ele ganhar o voto de confiança, a zona do euro enfrentará semanas de incerteza em que os mercados podem criar confusão. Se ele perder, a Grécia enfrentará uma desordem que golpearia os bancos da Europa e ameaçaria as economias muito maiores Itália e Espanha, que o bloco pode não ter recursos para socorrer.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

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