Liga Árabe mantém sanções contra Síria e rejeita mais um ultimato

A Liga Árabe decidiu nesta segunda-feira manter as sanções econômicas impostas à Síria e se negou a dar um novo ultimato para Damasco aceitar a entrada de observadores no país e cumprir o plano elaborado pela entidade para pôr fim à violência das forças de repressão.

De acordo com o secretário-geral da organização, Nabil al Arabi, a principal razão para isso foi o fato do regime de Bashar Assad ter imposto novas condições para a chegada dos observadores, em contradição com o anúncio de Damasco de que aceitaria o plano árabe.

Em declarações a jornalistas no Cairo, Al Arabi afirmou que essas novas exigências nunca foram discutidas. Uma fonte diplomática árabe disse à Agência Efe que a Liga Árabe informará a Síria que rejeitará essas condições. “A Síria não quer uma solução para a crise”, afirmou.

Reuters
Manifestantes contra Assad mostram cartaz onde se lê "Ocupe Kafrnabel", em referência à cidade síria
Manifestantes contra Assad mostram cartaz onde se lê “Ocupe Kafrnabel”, em referência à cidade síria

De acordo com a mesma fonte, alguns integrantes da Liga Árabe consideram que a mensagem enviada pelo chefe da diplomacia síria, Walid al Moualem, pretende jogar a organização contra a parede.

A resposta da Liga Árabe ocorreu pouco tempo depois de o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Síria, Jihad Maqdissi, declarar a jornalistas em Damasco que seu país está aberto a receber observadores que garantam o cumprimento de um cessar-fogo por parte do governo.

Maqdissi disse que um acordo, que resultaria no fim das sanções contra o país, poderia ser assinado em Damasco. Neste sábado, a Liga Árabe deu um novo prazo para que a Síria aprove o envio de observadores e evite os embargos aprovados em 27 de novembro.

Ao menos 4.000 pessoas morreram na Síria desde o início dos conflitos, em março deste ano, segundo dados da ONU,que considera que o país caminha para uma guerra civil.

SANÇÕES

Já atingida pelas sanções econômicas dos Estados Unidos e da Europa, a Síria foi punida no mês passado por países da região, com sanções anunciadas pela Liga Árabe e impostas pela Turquia, antiga aliada do ditador Bashar Assad.

Nesta segunda-feira, a Síria respondeu à Turquia com medidas retaliatórias, impondo uma tarifa de 30% sobre suas importações e impostos sobre combustível e carga. A agência de notícias estatal Sana citou um economista pró-Assad dizendo que a Turquia seria “a maior perdedora”.

No último dia 27, a Liga Árabe aumentou o isolamento do regime de Bashar Assad ao adotar sanções contra a síria. As principais foram o congelamento das transações comerciais e financeiras com o governo sírio, incluindo o banco central do país, e de suas contas bancárias nos países árabes.

No sábado, um encontro da Liga Árabe em Doha, no Qatar, aprovou uma lista de 19 pessoas que seriam proibidas de viajar para os Estados árabes e teriam seus ativos nesses países congelados. Entre elas, está o irmão mais novo de Assad, Maher, além dos principais chefes dos serviços de segurança, o homem de negócios Rami Makhluf, primo do presidente, e os ministros da Defesa e do Interior.

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Fumaça é vista na cidade de Homs, no centro da Síria, palco de confrontos com as forças de segurança do país
Fumaça é vista na cidade de Homs, no centro da Síria, palco de confrontos com as forças de segurança do país

A reunião antecipou também a proibição de toda a venda de armas árabes à Síria e a redução à metade dos voos para Síria a partir de meados de dezembro.

Ainda durante o encontro, uma comissão técnica foi encarregada de elaborar uma lista de homens de negócios ligados ao financiamento das operações da repressão para sancioná-los.

As sanções da Liga Árabe ainda não entraram em vigor. A Liga prorrogou repetidamente os prazos para que Damasco concorde com o plano de paz que permitiria a presença de monitores árabes na retirada de tropas das cidades. O último prazo expirou no domingo.

Iraque, Líbano e Jordânia, vizinhos da Síria, disseram que não se juntariam a uma campanha de sanções.

DEMONSTRAÇÃO DE FORÇA

Em uma exibição de força que pode ter por objetivo deter qualquer ideia de uma intervenção militar estrangeira no país, o exército sírio organizou no domingo um grande exercício com foguetes, tanques e helicópteros.

Generais de alto escalão assistiram às manobras de guerra e a televisão estatal síria mostrou os exercícios como o principal assunto do dia.

“O general (Dawood Abdullah) Rajiha (ministro da Defesa) destacou que as forças armadas, sob a liderança de Bashar Assad, permanecerão leais à pátria e irão defender os interesses do povo sírio”, disse a Sana.

Makdesi, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, afirmou que as manobras militares eram um exercício “de rotina” e não tinham por objetivo passar nenhuma mensagem.

DA EFE
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