Livro explica teoria da relatividade a Cameron Diaz

Uma pulga devora a orelha do filósofo e historiador da ciência Robert P. Crease: por que raios um cidadão culto sente-se obrigado a conhecer a obra de Shakespeare mas não a segunda lei da termodinâmica?

Em “As Grandes Equações” (Zahar), Crease desvenda a humana ciência de como se desenvolveram as ciências derivadas da matemática. Ao fazê-lo, explica conceitos sofisticados de maneira tão didática que, segundo o autor, até a atriz Cameron Diaz poderia entender.

Crease busca exemplos da cultura pop para aproximar os conceitos do leitor. Ele classifica a equação mais famosa de Einstein como “a equação celebridade” –todos sabem que existe, mas poucos de fato a conhecem.

Adams Carvalho

Demonstra isso com o “causo” de uma entrevista em que a atriz teria dito querer saber o que significa E=mc2.

As equações foram escolhidas após uma enquete feita em 2004 com os leitores da coluna de Crease na revista “Physics World”.

Cerca de 50 equações foram propostas pelos leitores. Dez entraram –o que garantiu espaço, ainda que no prefácio, para o 1+1=2, indicado por alguns como um momento de epifania matemática.

O fascínio dessas equações tem origem na aventura da descoberta, já que elas surgem para responder a inquietações mentais, diz o autor.

“Depois que alguém inventa uma equação sobre algo fundamental (…), nós e o mundo mudamos”, afirma.

PITÁGORAS E EINSTEIN

A estrela do primeiro capítulo, o teorema de Pitágoras, foi uma das ferramentas de Albert Einstein para notar uma das consequências da teoria da relatividade: a equivalência entre massa e energia, que sugeriu a possibilidade (explosiva, como se viu) de converter uma na outra.

A relatividade, por sua vez, veio cutucar contradições entre as leis do movimento de Isaac Newton e as equações em que James Clerk Maxwell postulou a existência de campos elétricos –agradeça a ele se estiver lendo agora num tablet, com internet sem fio.

Os personagens da história das equações não são menos fascinantes do que a própria aventura da descoberta.

Pitágoras sistematizou seu teorema praticamente isolado (ainda que sábios de outras latitudes chegassem a soluções semelhantes) e Newton propôs a gravitação universal subvertendo ideias de um rival sobre a atração de corpos muito menores.

Para contar a descoberta da segunda lei da termodinâmica –crucial para a Revolução Industrial–, Crease faz breves perfis ilustrados dos protagonistas da trama.

Entre os capítulos, o autor faz interlúdios para coçar sua pulga de estimação: a divisão das ciências –que crê arbitrária e, sugere, preguiçosa– entre “humanas” e “exatas”.

Crease, que leciona história e filosofia na universidade Stony Brook, em Nova York, critica a resistência dos humanistas em dar aos impactos da ciência e da tecnologia importância semelhante à das guerras. Compara essa miopia à situação do enfermo que ignora a doença.

AS GRANDES EQUAÇÕES
AUTOR – Robert P. Crease
EDITORA – Zahar
QUANTO – R$ 39,90 (280 págs.)
AVALIAÇÃO – Ótimo

Com a Folha.com

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