Livro mostra EUA como um gigante que perdeu o rumo

Um gigante que perdeu o rumo, está endividado, mas que ao mesmo tempo precisa gastar para recuperar o tempo perdido e tem uma população que não parece disposta a novos sacrifícios.

Esse é o cenário que os Estados Unidos enfrentam hoje, segundo o livro “That Used to Be Us”, de Thomas Friedman, colunista do “New York Times”, e Michael Mandelbaum, professor da Universidade Johns Hopkins.

  Fabrizio Costantini-11.jun.10/”The New York Times”  
Casas abandonadas em Detroit, Michigan (EUA); cidade perde, em média, 150 mil pessoas por década
Casas abandonadas em Detroit, Michigan (EUA); cidade perde, em média, 150 mil pessoas por década

Nele, os autores buscam traçar os problemas que vivem hoje os EUA, ainda a maior economia global, mas cada vez mais ameaçados pela China e por outros emergentes e sem um plano claro para manter a liderança.

Com a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética, os Estados Unidos ficaram sem um rival claro que estimulasse a economia a ser mais produtiva e criativa e hoje sentem os efeitos disso.

“O nosso país está em um declínio lento, lento o suficiente para que possamos fingir –ou acreditar– que o declínio não está ocorrendo”, escrevem, contrastando a morosidade americana com a rapidez dos chineses.

Os grandes problemas norte-americanos, de acordo com eles, são a falta de visão de futuro e uma classe política dividida, incapaz de cruzar as barreiras partidárias para chegar a acordos em temas que são fundamentais para o país.

“Os dois partidos estão errados em garantir aos americanos que os impostos nunca vão subir, como fazem os republicanos, e que os benefícios que foram prometidos nunca serão cortados, como fazem os democratas”, dizem Friedman e Mandelbaum.

RETOMADA

O caminho da retomada norte-americana planejado pelos autores é difícil, mas não parece impossível: investir pesado em educação, facilitar o visto para estrangeiros, priorizar indústrias de tecnologia e energia verde e, finalmente, sacrifício.

Esse último item é o que parece travar o sonho americano: para os dois, está claro que o governo vai ter de cortar gastos com programas sociais e aumentar impostos para reduzir a dívida pública, tão alta que exigiria que o país “pegasse dinheiro emprestado com a China” para defender Taiwan em caso de ataque dos chineses.

O problema é que eles não enxergam, dentro do atual modelo, ninguém dos dois partidos que consiga atrair os votos do outro lado ou mesmo liderar seus correligionários a tomar as soluções necessárias.

“A única maneira”, afirmam, “é um terceiro partido ou candidato independente, que possa não só articular políticas híbridas que atendam os nossos principais desafios”, como também atrair os votos dos eleitores democratas e republicanos.

Friedman e Mandelbaum reconhecem que uma terceira via é quase impossível, mas dizem que o sucesso não precisa ser medido pela vitórias nas eleições, mas pela influência no debate político, como o independente Ross Perot influenciou o governo Bill Clinton com suas promessas de corte da dívida pública na disputa de 1992.

THAT USED TO BE US
Thomas L. Friedman e Michael Mandelbaum
Editora Farrar, Straus and Giroux
Quanto US$ 28 (400 págs.); US$ 12,99 (e-book)
AVALIAÇÃO Bom

Com a Folha.com

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