Merkel admite operação simultânea de fundos de resgate

A chanceler alemã Angela Merkel (John Macdougall/AFP)

A Alemanha está disposta a permitir que os € 200 bilhões (US$ 260 bilhões) já comprometidos pelo fundo de resgate temporário do bloco possam ser usados em paralelo com os € 500 bilhões de euros de seu sucessor permanente, disse nesta segunda-feira a chanceler alemã, Angela Merkel.

O Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (ESM, na sigla em inglês), com uma capacidade de empréstimo total de € 500 bilhões, deverá começar a operar neste verão (do hemisfério norte).

O Fundo Europeu de Estabilização Financeira (EFSF, na sigla em inglês) tem atualmente € 200 bilhões destinados à Grécia, Portugal e Irlanda.

“Podemos imaginar que esses € 200 bilhões poderiam ser usados paralelamente aos € 500 bilhões do ESM até os países pagarem os empréstimos. Isso vai levar vários anos, e depois o ESM ficará sozinho com os € 500 bilhões”, disse Merkel numa conferência de seu partido Democratas Cristãos.

Ao comentar sobre a situação dos mercados financeiros, Merkel disse que o cenário se acalmou um pouco nas últimas semanas, mas acrescentou que os títulos portugueses e espanhóis permaneciam frágeis.

RESISTÊNCIA

A posição da chanceler alemã representa uma mudança na disposição desse país em relação aos fundos de resgate financeiro, que já “salvaram” economias tão combalidas como a Grécia e Portugal.

Desde 2010, os países europeus têm lançado mão de fundos em caráter emergencial, que emprestam recursos para os países em pior situação financeira, de modo a evitar um calote generalizado, o que seria fatal não somente para as economias dessas nações, mas também para o setor bancário europeu, abarrotado de títulos de dívida nacionais.

Como parte das negociações para combater a crise feitas no segundo semestre de 2011, o bloco europeu concordou em criar um fundo anticrise permanente, já apelidado por alguns de “Fundo Monetário Europeu” (em referência ao FMI), previsto para operar ainda no segundo semestre deste ano.

Mas a Alemanha, maior patrocinadora dessas iniciativas, resistia à ideia, bastante popular no bloco europeu, de manter os dois fundos “anticrise”, o atual (o EFSF, de caráter temporário) e o permanente (o ESM) em funcionamento.

DA REUTERS, EM BERLIM

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