Milhares vão às ruas de Roma contra plano de austeridade

Luca Bruno/Associated Press

Milhares vão às ruas de Roma contra plano de austeridade que será votado hoje

Milhares de pessoas foram às ruas de Roma, capital da Itália, em um dia de greve geral contra o plano de austeridade que será debatido nesta terça-feira no Senado.

“O país não merece um plano assim”, afirmou a secretária-geral do principal sindicato italiano, CGIL, Susanna Camusso.

Mais de 10 mil pessoas estavam reunidas em Florença (centro) e outras milhares foram às ruas também em Gênova (norte). A ideia do CGIL pe que as marchas aconteçam em mais de cem cidades do país nesta terça-feira.

Um dos primeiros efeitos do protesto foi que o jornal “Corriere della Sera” não chegou às bancas nesta terça-feira devido à greve dos tipógrafos, que não alcançaram um acordo com a direção para garantir a publicação do rotativo.

A greve, que terá duração de oito horas, já provoca também problemas em vários setores, como os transportes. Voos foram cancelados, assim como viagens de três e de ônibus. O metrô também foi afetado. Locais muito visitados pelos turistas, como o Coliseu, estavam fechados ao público.

As novas medidas de austeridade aprovadas pelo governo conservador de Silvio Berlusconi em 12 de agosto respondem ao pedido dos sócios europeus e do Banco Central Europeu (BCE) –que condicionou a compra de títulos do Estado à aprovação de restrições ao Orçamento.

O plano introduz reformas no mercado trabalhista e estimula as privatizações dos serviços públicos, para tentar salvar a terceira economia da zona do euro de ser a próxima vítima da crise da dívida europeia –que já derrubou Portugal, Irlanda e Grécia.

O BCE começou a intervir no mês passado para tentar segurar as taxas depois que temores do mercado com a dívida da Itália, de 1,9 trilhão de euros, levou os juros sobre empréstimos a níveis insustentáveis.

Em troca, o governo italiano tem o prazo de 60 dias para transformar em lei o decreto com as medidas de austeridade. Nesta terça-feira, o texto do plano de ajuste chega ao Senado para sua discussão e aprovação, o que deve acontecer até o final desta semana. Na sequência, o projeto deverá ser ratificado pela Câmara dos Deputados.

A CGIL considera as medidas injustas, já que afetam sobretudo os trabalhadores. O órgão, que tem cinco milhões de membros, muitos deles pensionistas, prepara uma série de propostas alternativas para modificar o plano.

Segundo fontes do sindicato, a ideia é protestar não só contra o último plano de ajuste de 45,5 bilhões de euros aprovado pelo governo, mas também pelo outro plano de austeridade ratificado pelo Parlamento em 15 de julho.

O sindicato denuncia que com seus dois planos Berlusconi “impôs mais taxas aos trabalhadores e aos aposentados e promoveu cortes em serviços e na saúde, sem garantir o equilíbrio das contas públicas e sem favorecer o crescimento e a ocupação”.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

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