Mineiros pedem dinheiro público e ouvem “não”

Em crise, nas últimas posições do Brasileiro, os clubes mineiros decidiram apelar ao governo estadual para tentar ganhar fôlego financeiro.

Os três que disputam a Série A do Nacional pediram patrocínios milionários ao Estado. Mas receberam um “não”.

O Cruzeiro disse, por meio de assessoria, que tem acordo para receber R$ 9,9 milhões da estatal Loteria Mineira, divididos em 11 parcelas. Em troca, a estatal estamparia sua marca no uniforme.

Atlético e América confirmaram estar negociando patrocínio semelhante. O clube alvinegro, porém, disse que o Estado só se pronunciaria no fim das negociações.

Ontem, a assessoria de imprensa do governo de Minas afirmou que a Loteria Mineira recusou a proposta de ajuda às finanças dos clubes.

A estatal as considerou inviáveis técnica e financeiramente. O governo disse que avisaria os dirigentes assim que chegasse a uma alternativa de financiamento. Ou seja, ainda estuda um jeito de repassar verba aos clubes.

Washington Alves/Vipcomm
Montillo, do Cruzeiro, disputa bola em lance contra o Atlético-MG
Montillo, do Cruzeiro, disputa bola em lance contra o Atlético-MG

Os cartolas ergueram o pires ao governador reclamando de prejuízos que estariam tendo desde que o Mineirão fechou para obras da Copa, em junho do ano passado.

Marcos Salum, presidente do América, disse que o clube deixou de ganhar cerca de R$ 6 milhões desde que o estádio Independência, a primeira opção para o Mineirão em obras, entrou em reforma.

O novo Independência deve ser entregue em 2012.

O Cruzeiro relata prejuízo maior: R$ 20 milhões. Além de arrecadação menor de bilheteria, o time inclui no cálculo gastos com o deslocamento até Sete Lagoas, onde tem mandado seus jogos.

O Mineirão só deve ficar pronto em dezembro de 2012.

Apesar de utilizar o termo “choradeira” para definir sua abordagem ao governo, o cartola do América diz que a opção por financiar os times traria retorno à Loteria Mineira.

“É uma coisa que faz publicidade, é boa para a empresa. Entregamos um relatório de mídia, enviamos um dossiê completo. Não é só um papel pedindo”, disse Salum.

A reportagem apurou que o acordo não foi bem-visto dentro da empresa estatal.

Um funcionário disse que o governo não deveria financiar clubes, o que poderia ser alvo de investigação do Ministério Público. Isso já ocorreu em outros Estados. Desde 2003, essa é a pior fase dos mineiros no Nacional.

Com a Folha.com

Sobre o editor

Willames Costa
Wíllames Costa
Editor

Instagram

Parceiros do blog