Monti promete crescimento para a Itália e defende o euro

O novo premiê italiano, Mario Monti, prometeu nesta quinta-feira, em seu primeiro discurso no Senado, que aplicará um programa baseado em “rigor, crescimento e equidade” e advertiu que “o futuro do euro depende também do que a Itália fizer”.

Segundo ele, a “Europa enfrenta seu momento mais difícil desde a 2ª Guerra Mundial”, ecoando as declarações da chanceler alemã, Angela Merkel, feitas mais cedo nesta semana.

A economia dos 17 países que compartilham o euro e do conjunto da UE (União Europeia) cresceu apenas 0,2% no terceiro trimestre com relação ao trimestre anterior e 1,4% comparada com o mesmo período de 2010, conforme mostrou a antecipação do PIB (Produto Interno Bruto) da região divulgada pelo Eurostat, o escritório de estatísticas comunitário.

Monti deixou claro que o principal problema da Itália é sua falta de capacidade para demonstrar seu potencial de crescimento aos mercados, o que gera grande desconfiança em relação ao país. “A ausência de crescimento anulou os sacrifícios” realizados até agora para reduzir o deficit, disse.

O premiê afirmou que seu governo é um “esforço nacional” para fazer frente a uma situação de extrema emergência”. A Itália assumiu o compromisso de equilibrar as contas públicas até 2013, sendo que o deficit público do país é de 120% do PIB.

Alberto Pizzoli/France Presse
Silvio Berlusconi, à direita, é visto com novo premiê italiano, Mario Monti, no Palácio Chigi
Silvio Berlusconi, à direita, é visto com novo premiê italiano, Mario Monti, no Palácio Chigi

“Não consideramos as exigências da UE (União Europeia) como algo imposto desde o exterior. Não estamos em frentes diferentes. A Europa somos nós”, disse. “Devemos convencer os demais de que começamos a reduzir a relação entre dívida e PIB, dívida que chegou ao nível de 20 anos atrás”.

O primeiro-ministro declarou que seu plano de governo prevê “sacrifícios justos” e “inevitáveis”, ao apresentar ao Senado as diretrizes para sua gestão. Ele advertiu que, se seu governo falhar e “não alcançar as reformas necessárias, estaremos todos submetidos a condições muito mais duras”.

Monti criticou elementos da política italiana, como seus “privilégios” e “altos custos”, além da isenção fiscal concedida para a aquisição do primeiro imóvel, que classificou como uma “anomalia italiana”.

O premiê caracterizou o plano de sua gestão como o de um “governo de empenho nacional”, o que, segundo ele, “significa assumir para si a tarefa de fortalecer as relações civis e institucionais com base no Estado”.

O plano do novo governo inclui privatizações, liberalizações e intervenções no mercado de trabalho e nas aposentadorias.

Deve ocorrer ainda hoje um voto de confiança no Senado. Na Câmara dos Deputados, o voto de confiança deve ser analisado amanhã.

Sua ministra do Trabalho, Elsa Fornero, afirmou que o programa de governo é baseado em três “palavras”: “recuperação, crescimento e coesão”. Especialistas citados pela imprensa italiana acreditam que as medidas que serão apresentadas por Monti envolvem liberalizações, privatizações, mercado de trabalho e aposentadorias.

PREMIÊ

O novo primeiro-ministro italiano anunciou que será também o ministro de Economia da Itália. Ele aceitou oficialmente o cargo de premiê, oferecido a ele no domingo pelo presidente da República, Giorgio Napolitano, para recuperar a confiança da Europa e dos mercados diante da crise.

Monti substitui Silvio Berlusconi, que renunciou ao cargo no último sábado, em meio a uma crise econômica.

A equipe de Monti, formada por 16 pessoas, todos tecnocratas, terá Corrado Passera, administrador do segundo maior banco da Itália, Intesa Sanpaolo, com o cargo de “superministro” de Desenvolvimento Econômico, Infraestrutura e Transportes.

“A fusão desses ministérios permitirá uma maior coordenação do crescimento econômico”, disse Monti, que também reconheceu que não há políticos em sua lista. “A ausência de políticos facilitará em vez de criar obstáculos” à gestão, afirmou.

Tony Gentile/Reuters
O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, anuncia a formação de seu futuro gabinete após reunião com presidente
O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, anuncia a formação de seu futuro gabinete após reunião com presidente

“As forças políticas manifestaram claramente que não queriam participar”, acrescentou Monti, que reconheceu que a Itália atravessa um momento difícil.

O novo Executivo deverá enfrentar um dos momentos mais complicados da economia da Itália, na mira dos mercados pela desconfiança gerada por suas contas públicas.

Silvio Berlusconi apresentou sua renúncia como primeiro-ministro no sábado passado, após aprovar no Parlamento italiano as primeiras reformas econômicas exigidas pela União Europeia, depois de ter constatado a perda de sua maioria absoluta dias antes na Câmara dos Deputados.

Monti apresentou seu programa para salvar o país da crise da dívida que assola a zona euro com o intuito de acalmar os mercados.

Na sessão de hoje, a taxa de juros dos títulos italianos a dez anos permaneceram acima de 7%, chegando ao nível em que Grécia, Portugal e Irlanda tiveram que pedir um resgate financeiro para poder arcar com suas contas.

PROTESTOS

Centenas de estudantes protestaram na capital financeira italiana em Milão contra o que chamaram de “governo de banqueiros” liderado pelo novo. As manifestações terminaram em confrontos com a polícia.

Luca Bruno/Associated Press
Estudantes entram em confronto com policiais em Milão
Estudantes entram em confronto com policiais em Milão

Os manifestantes disparavam fogos de artifícios contra as forças de segurança tentando impedir os policiais de se aproximarem do campus da Universidade de Bocconi, dirigida por Monti e símbolo de seu gabinete de tecnocratas formado para conter a crise da dívida na Itália.

A polícia respondeu a ofensiva estudantil com agressões com cassetetes. Durante o confronto, um jornalista ficou ferido pelos fogos de artifício.

Os estudantes presentes também jogavam ovos e notas falsas de dólar americano no prédio da associação italiana do setor bancário, de acordo com a agência de notícias AGI. Entre gritos entoados estavam “Não queremos que os bancos governem” e “o governo de Monti não é a solução”.

Também houve registros de manifestações em Turin, Roma, Palermo e Bari, tendo como alvo universidades onde ministros de Monti costumavam dar aulas, agências bancárias e repartições fiscais.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

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