Morro do Bom Jesus ocupado pela polícia

Ação simboliza uma mudança radical na forma de atuar no morro

CARUARU – O governador Eduardo Campos vai subir o Morro do Bom Jesus, em Caruaru, este domingo (18), para lançar o Programa Governo Presente, que entre outras coisas vai transferir o comando da Polícia Militar para a área, considerada a mais violenta do município.

A ação simboliza uma mudança radical na forma de atuar no morro, que passou de ponto turístico a gueto, onde o cidadão não pode chegar sem correr risco de sofrer assaltos e outros tipos de violência.

A situação do morro é bem diferente do que acontecia até a década de 1970, por exemplo, quando famílias costumavam subir suas escadarias para admirar a paisagem dos mirantes e visitar a igrejinha, construída em 1902. Aos poucos, o crescimento populacional e a ocupação desordenada mudaram essa realidade.

A dificuldade de acesso e a boa visibilidade que se tem do alto transformaram o local num esconderijo para bandidos e num dos maiores pontos de vendas de drogas da cidade. As mortes nas estreitas travessas tornaram-se comuns na comunidade, que abrange três bairros de Caruaru: Centro, São Francisco e Centenário.

De acordo com dados do IBGE, cerca de sete mil pessoas vivem na área, ocupando 1.843 domicílios, o que representa menos de 3% da população do município. Esse pequeno percentual responde por cerca de 23% dos homicídios na localidade.

Esses números podem ser explicados em parte pela situação de miséria e abandono em que vive grande parte dos moradores, que sofrem, além da violência, problemas como falta de saneamento básico e de programas de capaci- tação profissional.

“É importante que, além de instalar a polícia, os governos trabalhem pela humanização. Juntos, podemos fazer um trabalho novo de no local”, diz dom Bernardino Marchió, bispo da Diocese de Caruaru, que atua no local desde 1997.

A parte ocupada do morro é considerada pelo Plano Diretor de Caruaru como Zona Especial de Interesse Social (Zeis) e se caracteriza como área crítica de pobreza.

Nas áreas mais críticas, a prefeitura cadastrou 198 famílias. Algumas tiveram suas casas demolidas por ameaça de desabamento. “Com um posto permanente da PM vai ficar bem melhor”, disse a dona de casa Girlana Maria de Sobral Marques, 29, mãe de três filhos. O aposentado Severino Manoel Morais, 68, morador do morro há 50 anos, também acredita na operação. “Com a polícia aqui vai mudar, graças a Deus.”

Com o JC Online

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