Mundo deve deter corrida do Irã pela arma nuclear, diz premiê de Israel

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, pediu nesta quarta-feira que a comunidade internacional “detenha a corrida do Irã para a arma nuclear”, após a publicação do relatório da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) sobre o programa atômico de Teerã.

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“O relatório significa que a comunidade internacional deve conseguir deter a corrida do Irã para armas nucleares que colocam em perigo a paz do mundo e do Oriente Médio”, afirmou Netanyahu, na primeira reação ao documento da AIEA.

Mais cedo, o chefe de Estado-Maior adjunto das Forças Armadas iranianas, o general Masud Jazayeri, ameaçou destruir Israel se o Estado hebreu atacar as instalações nucleares do Irã.

“O centro (nuclear israelense) de Dimona é o local mais acessível para o qual podemos apontar e temos capacidades ainda mais importantes. Ante a maior ação de Israel, veremos sua destruição”, advertiu o general Jazayeri, citado pela televisão iraniana em idioma árabe Al Alam.

O presidente israelense, Shimon Peres, advertiu no domingo (6) que a possibilidade de um ataque militar contra o Irã é maior que a de uma ação diplomática.

“A possibilidade de um ataque militar contra o Irã parece mais próxima que a opção diplomática”, afirmou o presidente em declarações ao jornal “Israel Hayom”.

“Não acredito que já tenha sido tomada uma decisão a respeito, mas dá a impressão de que os iranianos vão se aproximando da bomba atômica”, acrescentou. “Não temos que revelar nossas intenções ao inimigo”, explicou.

Reuters
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, discursa durante visita à província iraniana de Chahar Mahaal e Bakhtiari
Mahmoud Ahmadinejad discursa durante visita à província iraniana de Chahar Mahaal e Bakhtiari nesta quarta

A divulgação do documento da agência nuclear da ONU repercutiu em diversos países e organismos internacionais.

Nesta quarta-feira, a União Europeia afirmou que o conteúdo do relatório “agrava as preocupações existentes” sobre as intenções do programa nuclear do Irã.

O porta-voz da chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton, disse que documento “confirma a contínua expansão das atividades de enriquecimento de urânio do Irã”, em violação às resoluções da AIEA e do Conselho de Segurança da ONU.

Também nesta quarta, a França informou que pretende pedir a convocação do Conselho de Segurança e que poderá pressionar por sanções sem precedentes contra o Irã.

“Se o Irã se recusar a atender às demandas da comunidade internacional e recusar qualquer cooperação séria, nós estaremos firmes para adotar sanções em uma escala sem precedentes, com outros países que também estão dispostos a isso”, disse o ministro de Relações Exteriores da França, Alain Juppé.

Diante da possibilidade de imposição de novas sanções contra o regime de Teerã, a China pediu diálogo e cooperação. “A China sempre acredita que o problema nuclear iraniano pode ser solucionado mediante o diálogo e a cooperação”, afirmou o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Hong Lei.

RESPOSTA DO IRÃ

O presidente iraniano, Marmoud Ahmadinejad, afirmou nesta quarta-feira que seu país “não retrocederá nem um pingo” em seu programa nuclear e qualificou como “absurdas” as acusações contidas no relatório da AIEA.

Ahmadinejad acusou a AIEA de “perder seu prestígio” ao aceitar as pressões dos Estados Unidos e outros países ocidentais na redação do relatório sobre seu programa nuclear, segundo informou o site da rede de televisão oficial iraniana.

O presidente voltou a negar que o Irã esteja tentando construir armas nucleares e disse, em referência aos Estados Unidos: “Nós somos inteligentes e não vamos construir duas bombas para enfrentar as 20 mil que os senhores têm”.

Ahmadinejad confirmou que o país continuará com seu programa nuclear, que as autoridades de Teerã insistem que tem exclusivamente fins pacíficos civis, e acrescentou que seu governo pretende construir um Irã “mais próspero e mais avançado para entregá-lo à próxima geração”.

22.ago.04 – France Presse
Imagem de 2004 mostra técnicos iranianos trabalhando na usina nuclear de Bushehr, ao sul da capital, Teerã
Imagem de 2004 mostra técnicos iranianos trabalhando na usina nuclear de Bushehr, ao sul da capital, Teerã

RELATÓRIO

A AIEA revelou na terça-feira que há indício claro de que o Irã pode estar desenvolvendo armas nucleares, afirmando que tem “sérias preocupações a respeito das dimensões militares do programa nuclear iraniano”.

Citando informações “confiáveis” de inteligência estrangeira e investigações próprias, a entidade indicou que o Irã “praticou atividades relevantes para o desenvolvimento de um dispositivo nuclear explosivo”.

Arte/Folhapress

DA FRANCE PRESSE
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