Na Grécia, governo de coalizão de Papademos presta juramento

O governo de coalizão grego de Lucas Papademos prestou juramento na tarde desta sexta-feira na Presidência, segundo imagens exibidas ao vivo pelo canal público de TV NET.

O governo de unidade nacional, anunciado nesta quinta-feira, tem ministros de ultradireita pela primeira vez desde o retorno da democracia após a ditadura militar, em 1974.

Papademos, 64 anos, foi vice-presidente do BCE (Banco Central Europeu) entre 2002 e 2010.

Thanassis Stavrakis/Associated Press
Premiê grego, Lucas Papademos, presta juramento durante cerimônia de posse no palácio presidencial de Atenas
Premiê grego, Lucas Papademos, presta juramento durante cerimônia de posse no palácio presidencial de Atenas

O socialista Evangelos Venizelos seguirá à frente do ministério das Finanças, enquanto o ex-comissário europeu Stavros Dimas, um liberal, será o chanceler do novo governo de unidade nacional.

Venizelos, 54, teve um papel chave nos últimos meses em pleno agravamento da crise da dívida grega. Dimas, 70, é vice-presidente do Nova Democracia, partido que aceitou participar em um gabinete de coalizão para salvar a Grécia, à beira da falência.

Thanassis Stavrakis/Associated Press
Novo governo de união nacional presta juramento durante cerimônia de posse no palácio presidencial
Novo governo de união nacional presta juramento durante cerimônia de posse no palácio presidencial

Makis Voridis foi nomeado ministro dos Transportes e Adonis Georgiadis secretário de Estado de Desenvolvimento e da Marinha Mercante. Ambos pertencem ao partido de ultradireita LAOS, que integra o governo de unidade nacional ao lado de socialistas e liberais.

FORÇA DO EURO

Papademos disse nesta quinta-feira que a permanência do país na zona do euro garante a estabilidade monetária e deverá facilitar o processo de ajuste econômico. Em contrapartida, a UE (União Europeia) pediu ao novo governo “firme compromisso” e “esforço máximo” contra a crise.

Aris Messinis/France Presse
Futuro premiê da Grécia, Lucas Papademos, fala com a imprensa ao deixar o palácio presidencial, em Atenas

“Estou convencido de que a participação do país na zona do euro é uma garantia para a estabilidade monetária. Todos nós devemos ser otimistas sobre o resultado final [do processo de ajuste econômico], contanto que estejamos unidos”, acrescentou.

Papademos afirmou ainda que não há uma data oficial para as eleições antecipadas no ano que vem, e que um acordo anunciado dias atrás, com 19 de fevereiro como a data para o pleito, serve apenas de referência.

“As escolhas que nós faremos serão decisivas para o povo grego. O caminho não será fácil, mas eu estou convencido de que os problemas serão resolvidos mais rápido e a um custo menor se houver união, compreensão e prudência.”

NOMEAÇÃO

O novo premiê foi nomeado ontem primeiro-ministro do governo interino de coalizão na Grécia. Seu governo deverá conduzir o país até a realização de eleições antecipadas.

Nesse período, Papademos deverá aplicar o acordo firmado por líderes da zona do euro para o resgate da Grécia. O plano inclui um novo aporte financeiro ao país no valor de 130 bilhões de euros e a redução em 50% da dívida do país, além de exigir medidas de austeridade e reformas estruturais.

A confirmação do ex-vice-presidente do BCE estava complicada, já que o banqueiro queria liderar um governo de maior duração e a participação de políticos de ambos partidos no conselho de ministros.

Papademos deve ficar no poder até o dia 19 de fevereiro de 2012, data para qual foram agendadas eleições antecipadas na Grécia.

Arte/Folhapress


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